O Standard Bank de Angola (SBA) concedeu mais de 340 mil milhões de kwanzas (372,4 milhões de dólares) a mais de 220 micro, pequenas e médias empresas (MPME) em 14 meses. O financiamento resulta de memorandos de entendimento assinados com o Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), em Junho de 2025, e com o Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, em Novembro do mesmo ano.

Os dados foram divulgados na primeira edição da Feira da Produção Angolana (FEPA), que decorreu esta quarta-feira, 21 de Outubro, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, segundo um comunicado enviado ao DE. Promovida pelo SBA, através da Direcção de Pequenas e Médias Empresas, a feira reuniu 50 expositores com o objectivo de aproximar produtores, empreendedores, investidores e consumidores, promover contactos empresariais e facilitar a partilha de conhecimento.

Na abertura, o director executivo da Banca de Pequenas e Médias Empresas do SBA, Fernando Chivinda, revelou que 57% do financiamento foi para a indústria e consumo, 18% para os transportes e logística e 16% para o sector do petróleo e gás. O sector mineiro e a agricultura receberam 4% cada um e a pesca 2%.

O financiamento chegou a 12 províncias e esteve associado à criação de mais de 7000 empregos directos e mais de 10 000 indirectos. Segundo Fernando Chivinda, os memorandos assentam em três pilares: “capacitação empresarial, acesso aos mercados e acesso ao crédito”. O responsável acrescentou que o banco financia projectos que impulsionam a produção nacional, reduzem as importações e promovem a segurança alimentar, e sublinhou que alguns clientes já exportam os seus produtos.

O presidente da Comissão Executiva do SBA, Luís Teles, defendeu o papel dos bancos no desenvolvimento económico. “Um banco capta recursos da economia e tem a responsabilidade de os transformar em oportunidades de crescimento”, afirmou. Para Luís Teles, o crédito deve traduzir-se em produção, novos equipamentos, maior capacidade instalada, criação de emprego e empresas mais competitivas.

O gestor salientou ainda que o crescimento das empresas depende do acesso aos mercados, ao conhecimento, à tecnologia e às redes de distribuição. “Não queremos ser apenas o banco onde as empresas têm uma conta. Queremos ser o parceiro que as ajuda a crescer”, disse, acrescentando que a FEPA também contribui para esse crescimento ao juntar produtores, empreendedores, investidores, consumidores e instituições.

A feira contou também com a participação de Andrew Mashanda, director para a Banca de Pequenas e Médias Empresas para África e Offshore do grupo Standard Bank. “Angola deixou de ser apenas um mercado de oportunidades. Hoje, é uma referência de crescimento, inovação e transformação em África”, afirmou. A delegação do grupo incluiu representantes da Zâmbia, de Moçambique e da Tanzânia, além de colegas da África do Sul, com o objectivo de reforçar as ligações empresariais e apoiar a internacionalização dos negócios angolanos.

Andrew Mashanda defendeu parcerias entre empresas e mercados para impulsionar os negócios. “Queremos criar pontes, aproximar empresas e acelerar a internacionalização dos negócios angolanos”, declarou. Na sua opinião, ligar empresas, sectores, mercados e países permite criar oportunidades, promover o desenvolvimento e contribuir para a prosperidade regional.

O presidente do Conselho de Administração do INAPEM, Bráulio Augusto, sublinhou a importância da FEPA num momento em que Angola procura reforçar a produção nacional e aumentar o contributo da indústria e do comércio para a diversificação económica, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida. Defendeu também melhorias no acesso ao financiamento e aos mercados, na capacidade logística e nos padrões de qualidade das empresas.

Para Bráulio Augusto, a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) é uma oportunidade para as empresas angolanas, desde que consigam competir em qualidade, preço, regularidade da oferta e certificação. “Que esta feira permita estabelecer relações comerciais duradouras, identificar investimentos viáveis e transformar contactos em negócios concretos”, concluiu.