A Nigéria confirmou, na terça-feira, 20 de Outubro, o primeiro caso de ébola desde 2014, numa mulher ugandesa residente em Abuja. A paciente encontra-se em isolamento e a receber tratamento, enquanto as autoridades acompanham 44 pessoas que estiveram em contacto com ela e investigam a origem da infecção.
Segundo a Reuters, a mulher regressou à capital nigeriana num voo proveniente do Uganda, com escala em Adis Abeba, na Etiópia. O Ministério da Saúde ugandês informou, contudo, que a paciente também tinha viajado para a República Democrática do Congo (RDC), onde decorre um surto de grande dimensão.
Odianosen Ehiakhamen, responsável do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da Nigéria, afirmou à estação de televisão Arise TV que a mulher começou a apresentar sintomas a 7 de Outubro e procurou assistência num hospital privado de Abuja quatro dias depois, com um quadro semelhante ao da malária.
O teste de ébola foi realizado a 19 de Outubro e o resultado positivo confirmado no dia seguinte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou o agente responsável como o vírus Bundibugyo, que está na origem do surto na RDC.
Entre os contactos identificados encontram-se sobretudo profissionais de saúde, além do marido da paciente, de nacionalidade suíça. As autoridades estão também a localizar passageiros que viajaram com a mulher, embora não haja indicação de que apresentasse sintomas durante os voos.
O ministro da Saúde nigeriano, Muhammad Ali Pate, assegurou à emissora pública NTA que a paciente está a receber cuidados médicos. Recordou ainda que o país conseguiu conter o surto de 2014 e dispõe de sistemas de vigilância e resposta para enfrentar o novo caso.
Uganda rejeita associação automática à origem da infecção
O Ministério da Saúde do Uganda sublinhou que a passagem da paciente pelo país não permite concluir que a infecção tenha ocorrido no seu território e afirmou não existirem casos activos confirmados.
A OMS informou que prosseguem as investigações para determinar a provável origem da infecção e reconstituir o percurso da mulher e as situações em que poderá ter sido exposta ao vírus. Foram igualmente reforçadas as medidas de prevenção e controlo da infecção na unidade privada onde recebeu assistência.
O surto na RDC foi declarado a 15 de Maio, embora possa ter começado meses antes. O país já contabiliza mais de nove mil casos e quatro mil mortes, num dos maiores surtos de ébola alguma vez registados.
O Uganda notificou 20 casos em Maio e Junho, na sua maioria importados da RDC. O Governo declarou o fim do surto a 28 de Julho, tendo a OMS confirmado essa avaliação em Agosto, após um período adicional de acompanhamento.
No Quénia, foram confirmados nove casos em Outubro, todos associados a uma pessoa que tinha viajado da RDC. Perante a evolução regional, a OMS apelou ao reforço da vigilância, da identificação de contactos e da preparação dos serviços de saúde.





