A Organização Mundial da Saúde (OMS) não foi informada de que a paciente com ébola identificada na Nigéria tinha viajado para a República Democrática do Congo (RDC), afirmou, nesta quinta-feira, 22 de Outubro, o representante da organização no país, depois de o Governo do Uganda ter divulgado que a mulher também visitou aquele território.

As autoridades sanitárias nigerianas anunciaram que o primeiro caso de ébola no país em mais de uma década envolve uma mulher de nacionalidade ugandesa que tinha regressado recentemente de uma viagem à região. O Ministério da Saúde do Uganda indicou que a paciente também tinha estado na RDC, onde o surto foi declarado pela primeira vez em meados de Maio e que, desde então, se tornou o de propagação mais rápida de que há registo.

Pavel Ursu, representante da OMS na Nigéria, afirmou, durante uma conferência de imprensa realizada em formato virtual, que as informações transmitidas à organização não incluíam qualquer viagem a outro país além do Uganda. Segundo o responsável, os dados recebidos indicam que a paciente regressou a Abuja a 3 de Outubro, depois de ter estado no Uganda desde 16 de Setembro.

O responsável acrescentou que as autoridades nigerianas estão agora concentradas em conter a infecção viral. A paciente continua hospitalizada e apresenta uma melhoria nos indicadores bioquímicos, segundo o representante da OMS.

Na quarta-feira, Jean Kaseya, director-geral da principal agência de saúde pública de África, disse à Reuters que a paciente, nascida no Uganda e esposa de um diplomata suíço, chegou a Abuja depois de passar duas semanas de férias no Uganda.

Por sua vez, Patrick Otim, responsável pela resposta a emergências da OMS, afirmou, nesta quinta-feira, que a origem da infecção permanece desconhecida. As autoridades sanitárias continuam a investigar o historial de deslocações da paciente para determinar onde poderá ter sido infectada.

Otim acrescentou que uma das linhas de investigação procura identificar as unidades de saúde que a mulher visitou em Abuja após o aparecimento dos sintomas e antes de ser hospitalizada, a 9 de Outubro.