O Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) apelou ao sector privado para apresentar projectos que possam beneficiar de um mecanismo de 2 mil milhões de dólares destinado a financiar a produção agrícola, o processamento e as exportações. O apelo surge numa altura em que a região enfrenta graves dificuldades climáticas associadas ao fenómeno El Niño.
Gainmore Zanamwe, director de Facilitação do Comércio e Promoção de Investimentos do Afreximbank, falou esta terça-feira (20) no 19.º Fórum e Exposição Empresarial do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), em Harare, capital do Zimbabué. Ao apresentar o Programa de Agricultura de Exportação para a Segurança Alimentar, garantiu que o financiamento está disponível para projectos viáveis. “No Afreximbank, desenvolvemos um mecanismo de 2 mil milhões de dólares que apoiará a produção agrícola primária, o processamento e a exportação”, declarou.
Para o responsável, o principal desafio está em encontrar iniciativas empresariais capazes de utilizar esses recursos. “O dinheiro existe. Do que precisamos é de projectos viáveis”, afirmou, pedindo aos empresários propostas concretas para desenvolver a agricultura.
Zanamwe esclareceu que a iniciativa pretende mobilizar o sector privado, em vez de depender de projectos conduzidos pelo Estado. “Isso provavelmente não será feito pelo Governo ou pela secretaria comercial. Estou a falar convosco, empresários presentes nesta sala”, disse, dirigindo-se aos participantes.
O director insistiu em propostas que abranjam as várias fases da cadeia agrícola, do cultivo à transformação e à venda nos mercados externos. “Quero ver aqueles que têm projectos viáveis para apoiar a agricultura, a produção, o processamento e a exportação”, afirmou.
Segundo Zanamwe, o banco procura empresas agro-industriais de referência que possam receber financiamentos elevados e desenvolver cadeias de valor integradas, que incluam pequenos produtores. O objectivo é ligar a produção agrícola ao processamento e à exportação, criando oportunidades para os diferentes intervenientes do sector.
“Queremos replicar no sector agrícola o que fizemos com a Dangote”, afirmou, referindo-se ao modelo que o Afreximbank aplica ao financiamento de grandes projectos empresariais: apoiar empresas de grande dimensão capazes de estimular a actividade económica e criar redes de fornecimento sustentáveis em África.
No caso da Dangote, o Afreximbank liderou um financiamento sindicado de 4 mil milhões de dólares para a refinaria do grupo na Nigéria, do qual subscreveu 2,5 mil milhões. O banco pretende agora aplicar um modelo semelhante à agricultura.
Fonte: The Herald





