O O Zimbabué prevê reforçar a produção industrial em 2027 com a entrada em funcionamento de projectos integrados numa carteira de investimentos identificados de 3,56 mil milhões de dólares. Segundo o ministro das Finanças, Mthuli Ncube, vários empreendimentos já estão em execução e deverão aumentar a capacidade produtiva, a transformação local de matérias-primas e a oferta de bens nacionais.

Os dados foram apresentados durante a Conferência Nacional do ZANU-PF, realizada em Chinhoyi, segundo a imprensa do grupo Zimpapers. A carteira é dominada pelos metais e equipamentos eléctricos, mas abrange também fertilizantes, produtos químicos, cimento, processamento de minerais, agro-indústria, alimentos, bebidas, veículos, têxteis e produtos farmacêuticos.

Entre os principais investimentos identificados encontram-se os da Dinson Iron and Steel, avaliados em 1,5 mil milhões de dólares; da Super Smelters/Steelmate, de mil milhões; da Xintai-Palm River, de 342 milhões; e da Sandawana Lithium, de 270 milhões de dólares. Estes montantes correspondem aos valores anunciados para os projectos, não necessariamente a novos desembolsos a realizar integralmente em 2027.

A expansão prevista ocorre num contexto de recuperação da actividade industrial, apoiada pelo processamento de alimentos, bebidas, tabaco, cimento e metais. Segundo Ncube, a utilização da capacidade instalada passou de 45,1% em 2017 para 61,2% em 2025, devendo ultrapassar 63,5% em 2026.

“O sector manufactureiro é o maior contribuinte para o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) e está a apresentar uma verdadeira transformação”, afirmou o ministro, destacando também o contributo da produção de aço da Dinson Iron and Steel.

Produção e novos projectos

Os indicadores apresentados por Ncube apontam para uma subida do índice de volume da produção manufactureira de 112,48 pontos, em 2022, para 159,1 pontos em 2026, equivalente a um aumento de 41,4%. As variações anuais indicadas são de 9,2% em 2023, 14,5% em 2024, 6,9% em 2025 e 5,7% em 2026.

“Com a produção já 41,4% acima do nível de 2022, o sector está bem posicionado para aproveitar este impulso, à medida que o investimento em capacidade industrial continua”, declarou.

Entre as iniciativas previstas para o próximo ano figura ainda um projecto da Fabriforge Engineering, com início da produção apontado para o primeiro trimestre de 2027. O montante do investimento carece, contudo, de confirmação.

A expansão da siderurgia poderá reforçar o fornecimento de materiais à construção civil, à engenharia e a outras actividades industriais. A concretização dos projectos dependerá de electricidade fiável, matérias-primas a preços competitivos, capital circulante e acesso aos mercados. O Governo identificou também a remoção de determinadas barreiras comerciais como uma medida para melhorar a competitividade.

Lítio reforça receitas de exportação

Ncube relacionou as perspectivas industriais com a evolução da mineração, que fornece matérias-primas à siderurgia e às unidades de processamento mineral. Segundo o governante, a produção de ouro duplicou desde 2017 e a de carvão também aumentou.

O ministro indicou ainda crescimentos entre 30% e 46% na produção de platina e de outros metais do grupo da platina. Em contrapartida, reconheceu quedas no níquel e nos diamantes, que o Governo procura reverter.

No lítio, destacou a recuperação dos preços após a forte descida provocada pelo excesso de oferta mundial, embora tenha ressalvado a volatilidade do mercado.

“As exportações de lítio do Zimbabué atingiram 782 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um aumento de 230% em comparação com o ano anterior”, afirmou. O processamento interno está também a ampliar a oferta de produtos de maior valor acrescentado, incluindo sulfato de lítio.

Segundo Ncube, a procura de longo prazo continuará a ser sustentada pelos veículos eléctricos, pelo armazenamento de energia em baterias e pela transição energética.

Fonte: The Herald