O Governo angolano está a estudar a emissão de obrigações no mercado chinês e de instrumentos de financiamento islâmico, conhecidos como sukuk, para diversificar as fontes de financiamento. Ainda não foram definidos montantes ou datas, e as próximas decisões dependerão da conclusão do Orçamento Geral do Estado para 2027.
“Queremos poder diversificar as fontes de financiamento, em vez de dependermos todos os anos dos mesmos mercados ou dos mesmos investidores”, afirmou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, numa entrevista à Bloomberg, citada pela Lusa.
O responsável adiantou que as autoridades angolanas visitaram o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e Omã em 2025 para estabelecer contactos com potenciais investidores. Esclareceu, contudo, que não estão previstas novas emissões de obrigações nos mercados internacionais até ao final deste ano.
Angola captou quatro mil milhões de dólares através da emissão de Eurobonds este ano, dos quais 1,2 mil milhões foram utilizados em operações de gestão da dívida. Segundo Ottoniel dos Santos, estas operações permitiram reduzir a pressão dos reembolsos previstos para 2028 e 2029.
A estas emissões juntaram-se o recurso ao mercado japonês, através de uma obrigação denominada em ienes, uma Samurai bond, e receitas petrolíferas superiores às inicialmente previstas. De acordo com o governante, as necessidades de financiamento para o restante período de 2026 situam-se entre 200 milhões e 400 milhões de dólares.
“O Governo decidirá se deve procurar empréstimos bilaterais, regressar aos mercados de Eurobonds ou explorar instrumentos de financiamento alternativos assim que o orçamento para 2027 estiver finalizado”, declarou.
Entre as alternativas estão as Panda bonds, obrigações emitidas por entidades estrangeiras no mercado interno chinês e denominadas em renminbi, e os sukuk, estruturados segundo os princípios das finanças islâmicas.
Estes últimos excluem o pagamento explícito de juros e associam a remuneração dos investidores a activos ou actividades económicas, podendo assumir diferentes estruturas, incluindo rendimentos de locação ou participação em resultados. As regras islâmicas impedem igualmente o financiamento de determinadas actividades, como as ligadas ao álcool e ao tabaco.
A diversificação do financiamento decorre num contexto em que Angola continua a enfrentar encargos elevados com a dívida. Segundo os dados da Moody’s citados pela Lusa, o país terá de reembolsar cerca de 813 milhões de dólares em 2028 e 1,3 mil milhões de dólares em 2029, relativos a emissões obrigacionistas que atingem a maturidade.
Em Setembro, a agência manteve a classificação de crédito soberano em B3 e reviu a perspectiva para positiva, destacando melhorias na gestão macroeconómica.
“A melhoria da gestão macroeconómica está a contribuir para uma redução da dívida pública e dos custos com juros”, escreveram os analistas, que projectaram uma dívida equivalente a cerca de 46% do Produto Interno Bruto (PIB) e encargos com juros correspondentes a 23% das receitas até ao final de 2026.





