O Tesouro Nacional da África do Sul reviu em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 1,6% para 1,2%, mas considera que a economia continua a resistir aos efeitos do conflito no Médio Oriente. A nova estimativa foi anunciada esta quarta-feira, 21 de Outubro, na apresentação ao Parlamento da Declaração de Política Orçamental de Médio Prazo (MTBPS, na sigla em inglês).

Apesar do corte, o Tesouro continua mais optimista do que o Fundo Monetário Internacional (FMI), que reduziu a sua previsão para a África do Sul em 2026 de 1,4% para 1%. O Tesouro sublinha ainda que o FMI cortou de forma mais acentuada as perspectivas para os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, com uma revisão média de 0,8 pontos percentuais.

Para os anos seguintes, o Tesouro prevê um crescimento de 1,6% em 2027, abaixo dos 1,8% projectados em Fevereiro, e de 2% em 2029. A inflação deverá atingir uma média de 4,4% em 2026, depois da subida dos preços do petróleo provocada pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão, e só regressar à meta de 3% do Banco da Reserva da África do Sul em 2029.

No prefácio do documento, o ministro das Finanças, Enoch Godongwana, afirma que o país tem feito progressos na recuperação das finanças públicas. “No meu discurso sobre o orçamento, em Fevereiro, afirmei que tínhamos chegado a um ponto de viragem importante nas finanças públicas. Falei sobre a credibilidade restaurada, a resiliência renovada e sobre uma nação que está a recuperar o rumo”, escreve.

Para o ministro, essa avaliação mantém-se válida, apesar de um ano turbulento para a economia mundial. O compromisso com a estabilidade macroeconómica reforçou a capacidade da economia para resistir a choques externos, defende, e as reformas na energia, nos caminhos-de-ferro e no turismo estão a eliminar obstáculos ao crescimento.

Segundo o Tesouro, o desempenho da economia reflecte a maior estabilidade conseguida nos últimos anos: a redução da meta de inflação, a descida do défice, a estabilização da dívida e a queda do prémio de risco deixaram o país mais bem preparado para enfrentar choques externos.

A MTBPS prevê a continuação da recuperação das finanças públicas e a melhoria da qualidade da despesa do Estado. Inclui também medidas para reforçar a prestação de serviços pelos governos locais, modernizar a gestão das finanças públicas e alargar as reformas estruturais em sectores considerados essenciais.

Na apresentação ao Parlamento, Godongwana afirmou que a estratégia para acelerar o crescimento e sanear as finanças públicas assenta em quatro pilares: estabilidade macroeconómica, reformas estruturais, reforço da capacidade do Estado e investimento em infra-estruturas. Segundo o ministro, estas medidas estão a eliminar obstáculos à actividade económica, a atrair investimento privado e a melhorar a capacidade do Estado para cumprir os seus compromissos, ao mesmo tempo que ajudam o país a enfrentar um contexto internacional difícil sem descurar as prioridades internas.

O Tesouro considera que a continuidade das reformas, aliada a uma melhor gestão pública, poderá criar condições para acelerar o crescimento e aumentar o investimento.

Fonte: Business Day