Por Samuel Nhamurave, da AIM
Nacala-Porto, 21 Out (AIM) – O Governo moçambicano considera que o desempenho dos corredores logísticos deve ser avaliado não apenas pelo volume de mercadorias movimentadas, mas também pelo crescimento das empresas nacionais, pela criação de empregos e pelo valor acrescentado.
A convicção foi expressa hoje (21), na cidade portuária de Nacala, na província nortenha de Nampula, pelo Secretário de Estado dos Transportes e Logística, Chinguane Mabote, na abertura de um workshop sobre o papel da logística, das infra-estruturas e da aviação no desenvolvimento da indústria extractiva, realizado no âmbito da Conferência e Exposição Mineira sobre Adição de Valor com Base em Minerais Disponíveis (CAVAME-d).
“O sucesso dos nossos corredores não pode ser avaliado apenas pelas toneladas exportadas. Deve também ser medido pelo valor acrescentado que permanece no País, pelas empresas nacionais que crescem, pelos empregos criados e pelas regiões que passam a dispor de melhores ligações aos mercados”, vincou.
Mabote defendeu que Moçambique deve aproveitar a sua posição geográfica, os portos e as ligações rodoviárias e ferroviárias para desenvolver uma economia mais industrializada, capaz de transformar internamente os recursos minerais e energéticos.
“Não queremos apenas transportar a riqueza que extraímos. Queremos criar condições para produzir e transformar mais riqueza dentro de Moçambique”, declarou.
Para alcançar este objectivo, considerou necessária a modernização integrada dos corredores de Maputo (sul do país), Beira (centro) e Nacala (norte), observando que o aumento da capacidade portuária, por si só, não resolve os constrangimentos do sistema logístico quando persistem limitações nos acessos rodoviários e ferroviários ou atrasos nos procedimentos administrativos.
“A competitividade da indústria extractiva começa muito antes de uma carga chegar ao porto. Depende do estado das estradas, da capacidade ferroviária, da disponibilidade de equipamentos, da eficiência dos terminais, dos tempos de passagem nas fronteiras e da previsibilidade dos serviços”, afirmou.
O responsável destacou que uma interrupção num dos componentes da cadeia logística pode comprometer o funcionamento de todo o sistema, defendendo, por isso, que os investimentos sejam programados em função das necessidades dos operadores e das empresas que utilizam estas infra-estruturas.
Entre os projectos mencionados figuram a expansão do Porto de Maputo, com investimentos anunciados de cerca de 500 milhões de dólares até 2028, e o Terminal Logístico de Dondo, provincial central de Sofala, cujo investimento está estimado em 117 milhões de dólares.
No domínio ferroviário, apontou a ligação entre Moatize e Nacala-à-Velha, com capacidade anunciada para transportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano, como exemplo da articulação entre a exploração mineira, o transporte ferroviário e as infra-estruturas portuárias.
O governante defendeu igualmente que os corredores devem beneficiar outros sectores da economia, nomeadamente a agricultura e a indústria, facilitando o escoamento da produção, o acesso aos mercados e a redução dos custos de transporte.
A indústria extractiva, acrescentou, pode criar oportunidades para empresas moçambicanas nas áreas da construção, manutenção industrial, armazenagem e prestação de serviços técnicos.
“Queremos que as empresas moçambicanas participem cada vez mais nestas actividades, com capacidade para prestar serviços competitivos e cumprir padrões exigentes de qualidade e segurança”, sublinhou.
O Secretário de Estado defendeu ainda uma maior coordenação entre os sectores dos transportes, mineração e energia, bem como a preparação das infra-estruturas para enfrentar os riscos climáticos, que podem interromper ligações estratégicas e encarecer a circulação de mercadorias.
O workshop integra a CAVAME-d, que decorre em Nacala-Porto, província de Nampula, e reúne representantes do Governo, empresas e outros intervenientes ligados à exploração, transformação e comercialização dos recursos minerais e energéticos.
(AIM)
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