A consultora britânica Oxford Economics prevê que a inflação média em Angola abrande para 10,6% em 2026, contra os 20,2% registados em 2025. Esta descida poderá permitir ao Banco Nacional de Angola (BNA) voltar a reduzir a taxa de juro de referência em Novembro.

“Os dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Setembro reforçam a nossa opinião de que a inflação irá abrandar para uma média de 10,6% em 2026, face aos 20,2% registados em 2025”, escreveram os analistas da consultora, ao avaliar a evolução dos preços em Angola.

Para 2027, a Oxford Economics prevê uma subida da inflação média para 13,3%. Segundo a consultora, esta evolução poderá resultar da pressão sobre os preços dos alimentos, associada ao fenómeno natural El Niño, do aumento das despesas relacionadas com as eleições e de uma eventual desvalorização da moeda angolana, o kwanza.

A previsão de um novo corte das taxas de juro em Novembro é sustentada pelo abrandamento da inflação anual para 8,4% em Setembro, em comparação com o mesmo mês de 2025. Esta evolução representa o 26.º mês consecutivo de desaceleração da inflação, que chegou a 31,1% em Julho de 2024.

“Os dados mais recentes do IPC inclinam a balança para um novo corte das taxas em Novembro, mas não esperamos outro corte significativo, uma vez que a taxa de juro de referência já foi reduzida em 225 pontos-base nas duas últimas reuniões do Comité de Política Monetária (CPM), e os alimentos continuam a representar mais de dois terços da inflação global”, refere a análise da consultora, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso.

Assim, a Oxford Economics considera mais provável uma redução de 50 a 75 pontos-base, desde que o kwanza mantenha a estabilidade. Esta previsão surge depois de o BNA ter reduzido a taxa de juro de referência de 17% para 15,75%, em Julho, e efectuado um novo corte, para 14,75%, em Setembro.

A redução de Julho, de 125 pontos-base, foi justificada pela melhoria das perspectivas de inflação a curto prazo, favorecida pelos preços mais elevados do petróleo e pela estabilidade da taxa de câmbio do kwanza. Com o corte efectuado em Setembro, a redução acumulada nas duas últimas reuniões do CPM atingiu 225 pontos-base.

Entretanto, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, afirmou, em entrevista à Lusa na semana passada, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Banguecoque, capital da Tailândia, que a inflação é uma das áreas em que os resultados têm superado as expectativas. O governante destacou esta evolução num contexto de melhoria dos indicadores económicos do país em 2026.

“A inflação estava prevista fechar 2025 em 18% e neste momento já está em 8,4%”, salientou Ottoniel dos Santos. Para o governante, a descida consistente dos preços poderá abrir caminho à adopção plena de um regime de metas de inflação pelo banco central.

“Isto pressupõe que, já no próximo ano, o BNA possa implementar aquilo que tem vindo a preparar, que é uma gestão baseada numa meta de inflação”, afirmou Ottoniel dos Santos.