Pelo menos 15 394 migrantes regressaram da África do Sul através de Moçambique, entre Abril e Julho de 2026, num período marcado por protestos e tensões contra imigrantes naquele país. A maioria era constituída por cidadãos do Maláui, que atravessaram o território moçambicano para regressar ao país de origem.
Os dados constam de um relatório de monitorização dos fluxos migratórios da Organização Internacional para as Migrações (OIM), divulgado nesta terça-feira, 20 de Outubro, pela Lusa.
Segundo o documento, os cidadãos do Maláui representaram 76% dos regressos, num total de 11 699 pessoas, enquanto os moçambicanos corresponderam aos restantes 24%, ou 3695 pessoas.
Os homens adultos representaram 73% dos migrantes, seguindo-se as mulheres adultas, com 22%, e as crianças com menos de 18 anos, com 5%.
Entre os moçambicanos regressados, Gaza foi a província mais procurada como destino final, concentrando 42% dos casos identificados. Seguiram-se Inhambane, com 18%, e a província de Maputo, com 14%.
O relatório indica ainda que 74% dos migrantes receberam assistência de transporte até aos respectivos destinos, enquanto 20% declararam necessitar de apoio adicional para prosseguir viagem. Os restantes 6% afirmaram ter financiado integralmente o regresso.
A OIM registou uma diminuição dos movimentos em Abril, numa altura em que foram relatadas restrições à mobilidade na África do Sul. Os fluxos voltaram a aumentar nos meses seguintes, antes de uma nova redução no final de Junho.
A recolha de dados foi realizada nos postos fronteiriços de Ressano Garcia, entre Moçambique e a África do Sul, e de Zóbuè, na fronteira com o Maláui.
A África do Sul continua a ser um importante destino para os migrantes da região, apesar das dificuldades económicas e dos episódios de violência xenófoba que têm afectado comunidades estrangeiras.





