O Cartão Bio, uma iniciativa do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), mobilizou 47 milhões de meticais desde o seu lançamento, em Dezembro de 2017. Deste montante, cerca de 33 milhões foram alocados a projectos de conservação e desenvolvimento comunitário, abrangendo oito províncias do País.
Os resultados foram apresentados na quinta-feira, 15 de Outubro, em Maputo, durante um seminário dedicado às iniciativas financiadas pelo cartão cujas receitas já serviram para apoiar 12 projectos, incluindo a protecção de espécies ameaçadas e intervenções para reduzir os conflitos entre comunidades e fauna bravia.
Parceria Reforçada em Março
A apresentação dos resultados surge após a renovação da parceria, anunciada em Março de 2026, através de uma adenda ao protocolo de cooperação. O documento actualizou cláusulas relativas à duração do acordo, às obrigações das partes, à partilha trimestral de informação e à gestão de riscos.
De acordo com a BIOFUND, o protocolo mantém a contribuição de 200 meticais do BCI por cada Cartão Bio emitido. O mecanismo canaliza igualmente uma percentagem das transacções realizadas nos terminais de pagamento automático para a conservação, sem custos adicionais para o titular.
Projectos Protegem Machambas e Espécies Ameaçadas
Entre os resultados divulgados pela BIOFUND, a 16 de Outubro, destaca-se o projecto desenvolvido pela Associação NATURA na Área de Conservação Macossa-Tambara, em Manica. A intervenção beneficiou 104 famílias, ajudou a proteger mais de 160 machambas e permitiu construir 36 celeiros melhorados, além de promover a apicultura.
Na província de Maputo, uma iniciativa da Mozambique Wildlife Alliance permitiu instalar duas vedações eléctricas, colocar seis coleiras de monitorização em elefantes e capacitar mais de 1630 pessoas para prevenir e gerir conflitos com estes animais.
Já no Parque Nacional de Chimanimani, o financiamento apoiou a construção de um centro de resgate e reabilitação de pangolins. Em Fevereiro de 2026, a unidade realizou o primeiro resgate, reabilitação e posterior devolução de um animal à natureza.
Financiamento Até Três Milhões Por Projecto
A parceria avançou também, em Junho de 2026, com uma chamada de propostas dedicada à inovação e tecnologia para a conservação, prevendo financiamento até três milhões de meticais por projecto, com duração máxima de 12 meses.
Os termos de referência incluíram soluções de monitorização digital da biodiversidade, aplicações móveis, utilização de drones na recuperação de habitats, sistemas de alerta para incêndios e desflorestação e ferramentas de inteligência artificial aplicadas à gestão dos recursos naturais.
A chamada privilegiou iniciativas já em desenvolvimento ou em fase de teste, com resultados mensuráveis e possibilidade de aplicação noutras regiões do País.
Apoio Estende-se à Energia e à Água
O financiamento abrange igualmente serviços básicos em comunidades inseridas em áreas de conservação. Numa actualização publicada em Janeiro de 2026, a BIOFUND destacou a instalação, no final de 2025, de um sistema de energia renovável e tratamento de água na Escola Primária e Centro Comunitário de Chingongoene, em Vilanculos.
Implementado pelo Santuário Bravio de Vilanculos, o projecto foi concebido para servir uma comunidade de cerca de 480 pessoas, associando o acesso à electricidade e à água potável à redução da pressão sobre os recursos naturais e à criação de oportunidades de rendimento.





