A Administração Nacional de Estradas (ANE) adjudicou nove contratos de construção e asfaltagem de estradas nas províncias de Inhambane e Sofala, num investimento global de cerca de 293 milhões de euros, noticiou a Lusa. As empreitadas abrangem 485 quilómetros de estradas nacionais e regionais e integram o Programa Acelerado de Reabilitação e Construção de Estradas Nacionais 2026-2031, designado “Mais Estradas – 2031”.

Segundo a informação oficial divulgada pelas delegações provinciais da ANE, os contratos dividem-se em cinco lotes em Inhambane, no sul do País, e quatro em Sofala, no centro, e incluem projectos de engenharia e trabalhos de asfaltagem. As adjudicações são uma das etapas do programa nacional de infra-estruturas rodoviárias, avaliado em 2,8 mil milhões de dólares, que prevê intervenções em mais de 3000 quilómetros de estradas até 2031.

Em Inhambane, as obras abrangem 285 quilómetros, com um investimento estimado em 143,6 milhões de euros. Os cinco contratos foram adjudicados a um consórcio formado pelas empresas Maripoma Entreprise Limitada, de Moçambique, Maripoma Entreprise Limitada, do Gana, CC Building Limitada e GWIC Moçambique Limitada. O contrato de maior valor diz respeito ao troço Sitila-Funhalouro, na estrada regional R444, com 70 quilómetros e cerca de 35 milhões de euros. No mesmo corredor, o troço Massinga-Sitila, com 40 quilómetros, foi adjudicado por 22,9 milhões de euros.

Na Estrada Nacional N222, as obras incidem sobre dois segmentos: Mapinhane-Macumene, com 58 quilómetros, avaliado em 27,6 milhões de euros, e Macumene-Mabote, com 57 quilómetros e um investimento estimado em 26,1 milhões de euros. Já a reabilitação e asfaltagem do troço Inharrime-Panda, na R483, com 60 quilómetros, representa cerca de 31,8 milhões de euros.

Em Sofala, as adjudicações abrangem 200 quilómetros da Estrada Nacional N282, um importante corredor de ligação entre o litoral e o interior da província, num investimento global de 149,2 milhões de euros. As obras estão divididas em quatro troços de 50 quilómetros cada, entregues a diferentes construtoras.

Os dois primeiros, Dondo-Semacuze e Semacuze-Muanza, foram adjudicados à Zhongmei Engineering Group, por cerca de 40,1 milhões e 40,6 milhões de euros, respectivamente. O troço Muanza-Inhaminga ficou a cargo da Mzansi Civils and Tar, por cerca de 35,1 milhões de euros, e o segmento Inhaminga-Matondo foi adjudicado à Porto Cargas, num contrato de 33,4 milhões de euros.

O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, garantiu esta semana que o programa já está em marcha. “Importa destacar que esta iniciativa já se encontra numa fase concreta de implementação, tendo sido lançados os concursos públicos para a execução das obras”, declarou.

Segundo Matlombe, concluídos os processos de avaliação e adjudicação ainda em curso, o Governo prevê mobilizar os empreiteiros e arrancar com as obras no primeiro trimestre de 2027. O ministro defendeu também uma mudança na estratégia de gestão da rede rodoviária nacional, com prioridade ao planeamento, à conservação preventiva e ao uso criterioso dos recursos financeiros disponíveis. “Não podemos continuar a intervir nas estradas apenas quando a degradação atinge níveis críticos”, afirmou.

Matlombe sublinhou ainda a importância de garantir a qualidade das empreitadas, o cumprimento dos prazos contratuais e o reforço da fiscalização. Os nove contratos agora adjudicados são uma componente do programa com que o Governo pretende ampliar e melhorar a rede rodoviária moçambicana nos próximos cinco anos.