A produção de ilmenite, principal mineral usado na obtenção de titânio, na mina de Moma, na província de Nampula, aumentou 12% no terceiro trimestre de 2026, para 233,6 mil toneladas. Apesar do crescimento, a mineradora irlandesa Kenmare Resources reviu em baixa a previsão de produção para o conjunto do ano, devido a dificuldades operacionais, numa altura em que negoceia com o Governo a renovação do acordo que regula a exploração da concessão.
Os dados constam do relatório de produção divulgado esta quinta-feira (15) pela Kenmare, que explora uma das maiores minas de minerais de titânio do mundo, segundo a Lusa. Face ao segundo trimestre, a produção de ilmenite cresceu 59%. “A produção de ilmenite reforçou-se substancialmente no terceiro trimestre de 2026, aumentando quase 60% em comparação com o segundo trimestre, devido ao aumento dos volumes de minério escavado nas três unidades de concentração”, afirmou o director-executivo da Kenmare, Tom Hickey, citado no relatório.
Entre Julho e Setembro, a produção de concentrado de minerais pesados (HMC, na sigla inglesa) atingiu 334,1 mil toneladas, mais 12% do que no mesmo período de 2025. A produção de zircão subiu para 13 mil toneladas e a de rútilo chegou às 2200 toneladas.
Apesar da recuperação operacional registada durante o terceiro trimestre, a empresa decidiu rever em baixa as metas anuais de produção, justificando a decisão com dificuldades persistentes na entrada em funcionamento dos equipamentos modernizados da unidade de concentração WCP A, a maior da mina de Moma.
A Kenmare reviu igualmente em baixa as previsões de expedição de produtos minerais para 2026, passando de mais de 1,1 milhões de toneladas para aproximadamente 1,05 milhões de toneladas. Segundo a companhia, a revisão está relacionada sobretudo com atrasos registados noutros portos durante o terceiro trimestre, que limitaram o tempo disponível para o carregamento de navios em Moma, bem como com procedimentos operacionais destinados a preservar a qualidade dos produtos.
No mercado internacional, a mineradora reconhece que as condições comerciais continuam desfavoráveis para os minerais de titânio. Ainda assim, os preços médios obtidos no trimestre melhoraram face ao período anterior, graças a uma composição de vendas com mais produtos de maior valor acrescentado. A empresa assinala também sinais de recuperação no mercado de zircão, outro dos minerais produzidos em Moma.
Paralelamente, a Kenmare anunciou avanços nos estudos para aproveitar os minerais críticos existentes no depósito, sobretudo elementos de terras raras, considerados estratégicos para várias indústrias tecnológicas. “Concluímos durante o período um Estudo de Pré-Viabilidade para investigar o potencial de gerar maior valor a partir dos elementos de terras raras presentes no depósito de Moma. Estamos agora a iniciar um Estudo de Viabilidade Definitivo, em conjunto com discussões comerciais em curso com potenciais parceiros de compra”, revelou Tom Hickey.
Estes estudos poderão abrir à empresa novas formas de valorizar os recursos de Moma, além da ilmenite, do zircão e do rútilo. Segundo dados anteriormente divulgados pela Kenmare, a mina representa cerca de 6% da oferta mundial de minerais de titânio e tem reservas com uma vida útil estimada superior a 100 anos.
O futuro das operações em Moçambique continua, porém, ligado às negociações com o Governo para renovar o Acordo de Implementação de Moma, que fixa as condições fiscais e operacionais da concessão. O acordo expirou em Dezembro de 2024, mas a empresa continua a operar ao abrigo das condições anteriores. “Garantir a renovação do Acordo de Implementação de Moma continua a ser uma prioridade fundamental e estamos focados numa conclusão deste processo a curto prazo”, afirmou Hickey.
Em Maio, a companhia já tinha anunciado que mantinha negociações construtivas com o Estado moçambicano para renovar o acordo. O relatório trimestral confirma também que prosseguem as conversações sobre o interesse da International Resources Holdings (IRH), dos Emirados Árabes Unidos, em adquirir a Kenmare.





