O ouro está a negociar com ganhos esta quinta-feira (15), aproveitando a queda dos preços do petróleo e um maior apetite por activos-refúgio para recuperar quase todo o terreno perdido nas últimas sessões. O movimento acontece apesar de uma inflação ligeiramente mais elevada do que antecipado nos Estados Unidos da América (EUA) ter levado os investidores a reforçarem as expectativas de mais uma subida nas taxas de juro este ano por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
Nesta manhã, o metal amarelo sobe 0,91% para 4143,15 dólares por onça, tendo chegado a acelerar mais de 1%, mas ainda longe dos máximos desta semana de mais de 4200 dólares. Os juros da dívida norte-americana, que tendem a pesar sobre a negociação do ouro, dispararam na quarta-feira após os dados da inflação, antes de reverterem por completo o sentido de negociação, numa altura em que um sell-off nas acções de semicondutores está a fazer acelerar a procura por activos mais seguros.
Desde o início do conflito entre EUA e Irão em finais de Fevereiro deste ano, o ouro já perdeu mais de 20% do seu valor, pressionado por uma escalada dos preços da energia que estão a obrigar bancos centrais por todo o mundo a apertarem a política monetária. O ouro, que não rende juros, tende a desvalorizar num ambiente monetário mais restrictivo – e os investidores veem uma probabilidade superior a 90% de existir uma nova subida nas taxas directoras este ano.
O presidente da Fed de Chicado, Austan Goolsbee, não esconde que os mais recentes dados da inflação, que viram o índice dos preços no consumidor a acelerar 0,6% em cadeia – a maior subida desde Abril -, são “desanimadores”. Advertiu ainda para o facto dos mega investimentos em infra-estrutura de Inteligência Artificial (IA) estarem, potencialmente, a sobreaquecerem a economia norte-americano.
Os investidores aguardam agora pela intervenção do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, no encontro do Fundo Monetário Internacional em Banguecoque, esta quinta-feira, à procura de pistas sobre o futuro da política monetária na maior economia do mundo. Isto antes de os membros do banco central entrarem em blackout no domingo, em antecipação ao encontro que se realiza entre 27 e 28 de Outubro.





