Wall Street fechou em baixa esta quarta-feira, 14 de Outubro, depois de a inflação nos Estados Unidos da América (EUA) ter superado as expectativas em Setembro, reforçando os receios de uma nova subida das taxas de juro pela Reserva Federal (Fed). O Nasdaq liderou as perdas, numa sessão marcada pela pressão sobre as tecnológicas e pela divulgação de resultados bancários.

O Dow Jones recuou 0,09%, para 51 621,48 pontos, o S&P 500 perdeu 1,11%, para 7718,94 pontos, e o Nasdaq caiu 1,88%, para 26 692,87 pontos. As valorizações entre 3,3% e 3,9% da UnitedHealth, Amgen e Merck ajudaram a limitar as perdas do Dow Jones.

A inflação homóloga acelerou de 3,4% em Agosto para 3,7% em Setembro. Excluindo os alimentos e a energia, a taxa situou-se em 2,6%. A componente subjacente registou uma subida mensal de 0,3%, acima dos 0,2% esperados pelos economistas.

A gasolina destacou-se entre as principais fontes de pressão, com um encarecimento de 9,1% face ao mês anterior, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

Os dados levaram os investidores a reforçar as apostas numa nova subida dos juros em Outubro. As taxas de rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano aumentaram após a divulgação da inflação, embora tenham moderado os ganhos ao longo da sessão. Segundo dados da CME citados pela Associated Press, a probabilidade de uma subida dos juros na próxima reunião da Fed aproximou-se de 35%, face aos 22% do dia anterior.

A perspectiva de juros mais elevados penalizou sobretudo as tecnológicas, cujas valorizações são particularmente sensíveis ao custo do financiamento e às expectativas de lucros futuros. Os investidores continuaram também a avaliar os elevados investimentos em Inteligência Artificial e a capacidade das empresas para os transformar em receitas.

No sector bancário, o Bank of America apresentou um lucro líquido de 6,93 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, menos 17% do que no período homólogo, equivalente a 0,91 dólares por acção. Os resultados incluíram um encargo de 1,2 mil milhões de dólares associado a uma sanção regulatória. Excluindo esse efeito, o lucro ajustado por acção foi de 1,08 dólares.

As receitas atingiram cerca de 30 mil milhões de dólares, enquanto a margem financeira cresceu 8%, para 16,4 mil milhões, apoiada, entre outros factores, pelo aumento do crédito e dos depósitos. Em contrapartida, as receitas da negociação de obrigações, divisas e matérias-primas caíram 17% e as comissões de banca de investimento recuaram 11%.

O Morgan Stanley registou um lucro de 4,91 mil milhões de dólares, mais 6,5% do que um ano antes, e um resultado por acção de 3,03 dólares. As receitas aumentaram cerca de 12%, para 20,34 mil milhões de dólares.

A negociação de acções foi um dos principais motores do desempenho, com receitas a crescerem 41%, para cerca de 5,8 mil milhões de dólares. A gestão de patrimónios alcançou receitas recorde, enquanto a negociação de instrumentos de rendimento fixo registou uma quebra de cerca de 7%.

As tensões no Médio Oriente mantiveram também os mercados atentos aos riscos para o abastecimento energético. O Brent encerrou com uma subida de 0,35%, para 106,06 dólares por barril, acrescentando pressão às preocupações com a persistência da inflação.