O governador do banco central sul-africano, Lesetja Kganyago, prevê que a inflação no país só regresse à meta de 3% em 2028, devido à pressão dos preços internacionais da energia e dos alimentos. O responsável alertou esta quinta-feira (15) que a incerteza geopolítica e os riscos de perturbações no abastecimento alimentar poderão continuar a pressionar os preços.
Em entrevista à Reuters, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Banguecoque, na Tailândia, Lesetja Kganyago afirmou que a inflação deverá situar-se, em média, em 4,4% este ano. A previsão aponta para uma descida para níveis dentro da meta do banco central em 2027, antes de atingir os 3% em 2028.
Este cenário poderá levar o banco central a manter uma política monetária restritiva, através de taxas de juro destinadas a conter a subida dos preços. Em Setembro, a instituição aumentou a taxa de referência em 25 pontos base, para 7,25%, depois de ter mantido a taxa inalterada em Julho.
Entre os principais riscos para a inflação, o governador destacou a incerteza geopolítica e os seus efeitos sobre os preços do petróleo e dos fertilizantes. O responsável alertou igualmente para os possíveis impactos do fenómeno climático El Niño e para eventuais perturbações no transporte de cereais através do Mar Negro, que poderão afectar o abastecimento alimentar.
“Até ao momento, as medidas da inflação subjacente apontam para uma subida da inflação, e isso é preocupante”, afirmou Lesetja Kganyago. A inflação subjacente permite avaliar as tendências mais persistentes dos preços, reduzindo o impacto de componentes mais voláteis.
Os dados mais recentes mostram que a inflação global na África do Sul subiu para 4,4% em Agosto, em termos homólogos, ou seja, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A subida foi impulsionada sobretudo pelos preços da habitação e dos serviços públicos, dos transportes, dos seguros e dos serviços financeiros.
O aumento da taxa de juro em Setembro foi aprovado por unanimidade pelo Comité de Política Monetária, após a pausa de Julho. A próxima decisão está prevista para Novembro. Lesetja Kganyago não antecipou novos aumentos, limitando-se a afirmar que a taxa actual é “moderadamente restritiva” e que as decisões serão tomadas “reunião por reunião”.
Apesar das pressões inflacionistas, a estabilidade do rand, a moeda sul-africana, tem ajudado a compensar alguns dos riscos. A moeda manteve-se praticamente inalterada este ano, apesar da valorização do dólar norte-americano. “No passado, quando o preço do petróleo subia, também tínhamos uma depreciação da moeda. Ela tem estado bastante estável (este ano), mas isso não é motivo para sermos complacentes”, afirmou o governador, destacando ainda a consolidação orçamental e uma política monetária adequada como factores de apoio à estabilidade cambial.





