O Governo do Japão vai disponibilizar 1,8 milhão de dólares, através do Programa Alimentar Mundial (PAM), para apoiar cerca de 94 mil pessoas afectadas pelo conflito armado em Cabo Delgado. O financiamento foi formalizado esta quarta-feira, 14 de Outubro, em Maputo, e destina-se à distribuição de arroz e conservas de peixe.
“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afectadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, afirmou o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, durante a cerimónia de assinatura.
Segundo o diplomata, a assistência ajudará as famílias a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas. Hamada acrescentou que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares para as operações do PAM no País.
Citada pela Lusa, a directora do PAM em Moçambique, Claire Conan, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos são insuficientes para apoiar todas as populações vulneráveis.
A responsável explicou que a assistência pretende evitar que as famílias recorram a estratégias prejudiciais para enfrentar a escassez de alimentos. “Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, declarou, agradecendo a contribuição do Governo japonês.
Claire Conan alertou também para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño. Segundo a responsável, um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar, num contexto de fortes limitações ao financiamento humanitário.
Na mesma ocasião, o vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, destacou a cooperação japonesa na assistência humanitária e na prevenção de desastres. Entre os exemplos, referiu o apoio à construção de sistemas de drenagem na Beira, em Sofala, e os estudos em curso para encontrar soluções para as inundações urbanas em Maputo e na Matola.
Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde 2017, que já provocou mais de 6600 mortos e obrigou mais de 1,2 milhão de pessoas a abandonar as suas casas, segundo organizações internacionais.
De acordo com os dados citados pela Lusa, cerca de 1,38 milhão de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.





