O Maláui enfrenta uma nova crise de abastecimento de combustíveis, que está a afectar o sector dos transportes e a obrigar automobilistas a passar noites nas bombas de abastecimento à espera de gasolina. O Governo atribui a situação à escassez de divisas, num contexto de dificuldades económicas que têm condicionado o fornecimento de produtos petrolíferos ao país.

Segundo a Reuters, que noticiou a situação na terça-feira (13), a falta de combustíveis voltou a provocar longas filas nas estações de serviço, particularmente em Blantyre, capital comercial do Maláui, onde vários motoristas permanecem durante a noite na esperança de conseguir abastecer as suas viaturas.

Entre os afectados está Harry Jim, um automobilista que relatou à agência de notícias ter passado a noite numa estação de abastecimento sem conseguir comprar combustível. O motorista afirmou que a crise é real e continua a aguardar pela oportunidade de encher o depósito da sua viatura.

A situação está igualmente a comprometer a actividade dos transportadores, sobretudo daqueles que dependem diariamente da circulação de passageiros para garantir o seu rendimento. Paul Christopher, um motociclista que trabalha no transporte de pessoas, revelou que está há três semanas sem exercer a sua actividade devido à falta de gasolina. O transportador explicou que a paralisação o obrigou a contrair dívidas para assegurar a sua sobrevivência, acrescentando que, mesmo quando o abastecimento for restabelecido, os primeiros rendimentos terão de ser utilizados para liquidar os compromissos financeiros acumulados durante o período de inactividade.

A escassez de combustíveis tem sido um problema recorrente no Maláui ao longo dos últimos anos, tendo inclusivamente figurado entre as principais preocupações dos eleitores durante as eleições presidenciais de 2025.

A situação registou uma melhoria temporária após a vitória eleitoral do Presidente Peter Mutharika e o subsequente aumento dos preços dos combustíveis. Contudo, as dificuldades de abastecimento voltaram a agravar-se depois do início da guerra no Irão, no final de Fevereiro de 2026. As autoridades malauianas atribuem a crise à insuficiência de moeda estrangeira, uma situação que dificulta a aquisição de combustíveis nos mercados internacionais e condiciona a capacidade de resposta às necessidades de abastecimento interno.

Perante as dificuldades económicas, o Presidente Peter Mutharika espera que um novo programa de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) contribua para estabilizar a economia e aliviar as pressões financeiras enfrentadas pelo país. Entretanto, as negociações com a instituição financeira internacional ainda não resultaram num acordo definitivo, mantendo-se a incerteza quanto à disponibilização de novos recursos financeiros.