O ouro está a negociar em território negativo esta quarta-feira (14), mesmo após um membro da Reserva Federal (Fed) norte-americana ter defendido que, apesar de um novo aperto monetário ser possível este ano, uma subida nas taxas de juro em 2027 não deverá ser necessária.

A esta hora, o metal amarelo cede 0,29% para 4149,25 dólares por onça, depois de ter caído 0,8% nas duas últimas sessões. A matéria-prima está a ser pressionada por uma nova subida nos preços do petróleo, após terem sido registados novos ataques no Médio Oriente, incluindo na sede da petrolífera saudita Aramco.

O ouro, uma vez que não rende juros, tende a perder valor num ambiente monetário mais restritivo. Tal como o mercado já tinha incorporado, o Presidente da Fed de Nova Iorque, John Williams, considera adequado mais uma subida nas taxas de juro este ano, mas o facto de ter afastado um aperto em 2027 deu algum alívio à “yield” da dívida norte-americana em todos os prazos.

A atenção dos investidores vira-se agora para os EUA e para a leitura da inflação de Setembro. Os analistas antecipam que os preços tenham acelerado dos 3,4% de Agosto para 3,6% em termos homólogos, e qualquer número acima ou abaixo deste valor poderá ter um impacto substancial nas previsões sobre o próximo passo da Reserva Federal (Fed) norte-americana.

Nas últimas semanas, o ouro tem negociado num intervalo bastante limitado, apesar das vendas em grande escala por parte de alguns fundos. “Existe uma procura física robusta de ouro, com os fluxos não comerciais e comerciais a actuarem em conjunto para compensar as vendas algorítmicas e o retalho, que se mantém agora à margem”, explica Daniel Ghali, director de investigação de metais do Deutsche Bank AG.