A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) defendeu, esta terça-feira (13), em Maputo, o reforço dos investimentos na prevenção de desastres climáticos, alertando que a região continua a privilegiar o financiamento da resposta e reconstrução após as calamidades, em detrimento de medidas destinadas a reduzir antecipadamente os riscos.
A posição foi apresentada pela secretária executiva-adjunta para os Assuntos Corporativos da SADC, Judith Kateera, durante a abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África, que reúne mais de 500 participantes na capital moçambicana.
Na sua intervenção, em representação do secretário executivo da organização, Elias Magosi, Kateera considerou que a África Austral enfrenta ameaças crescentes associadas às secas, cheias e ciclones tropicais, cujos impactos comprometem as infra-estruturas, a actividade económica e os progressos alcançados no desenvolvimento da região. “As consequências devastadoras das catástrofes recentes sublinham a urgência de passar do compromisso político à acção concreta”, afirmou.
A responsável defendeu uma mudança na forma como os países da região financiam a gestão dos desastres, considerando necessário canalizar mais recursos para a prevenção, em vez de concentrar os investimentos na recuperação dos prejuízos provocados pelos fenómenos extremos. Segundo Kateera, a maior parte dos mecanismos financeiros existentes continua orientada para responder às emergências e apoiar a reconstrução, situação que limita a capacidade dos países para antecipar e reduzir os riscos climáticos. “Temos de passar urgentemente da resposta a catástrofes para a gestão do risco e a salvaguarda dos ganhos em matéria de desenvolvimento”, declarou.
Neste contexto, a dirigente destacou a importância do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, um instrumento concebido para mobilizar recursos destinados ao financiamento de programas regionais, incluindo iniciativas de gestão do risco de desastres e reforço da resiliência. Contudo, o mecanismo ainda não reúne as ratificações necessárias para a sua plena entrada em vigor, razão pela qual Kateera apelou aos Estados-membros para acelerarem os respectivos procedimentos de ratificação.

A responsável considerou igualmente necessário aumentar os investimentos em infra-estruturas capazes de resistir a fenómenos climáticos extremos, nomeadamente sistemas de controlo de cheias, protecção costeira, projectos de irrigação, agricultura resistente à seca e recuperação de ecossistemas. Para assegurar o financiamento destas iniciativas, a SADC defende o fortalecimento dos mecanismos nacionais de redução do risco de desastres, o recurso a parcerias público-privadas e a mobilização de fundos internacionais destinados à adaptação climática.
Kateera sublinhou ainda a necessidade de integrar a prevenção de desastres nas políticas públicas, no planeamento territorial e nos programas de investimento dos países, de modo a proteger as infra-estruturas e reduzir os custos económicos associados às calamidades. A dirigente destacou também os instrumentos regionais que a SADC tem vindo a desenvolver para melhorar a capacidade de resposta dos Estados-membros, incluindo mecanismos de recuperação pós-desastre e iniciativas de reforço da resiliência urbana.
O apelo surge numa altura em que a África Austral se prepara para os possíveis impactos de um novo episódio do fenómeno El Niño, que poderá agravar os riscos de seca e comprometer a segurança alimentar e as actividades económicas em vários países da região. Em Moçambique, um dos países mais expostos aos fenómenos climáticos extremos, a última época chuvosa, decorrida entre Outubro de 2025 e Abril de 2026, provocou 311 mortes e afectou cerca de 1,07 milhão de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
A Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África decorre de 13 a 15 de Outubro, em Maputo, sob o lema “Governação Proactiva e Investimento Estratégico para a Redução do Risco de Desastres e uma África Resiliente”, reunindo representantes de governos, organizações regionais e parceiros internacionais para discutir estratégias de prevenção e financiamento da resiliência climática.
O evento reúne governos africanos, organizações regionais, agências das Nações Unidas e instituições parceiras, para discutir estratégias de prevenção, preparação e resposta a fenómenos extremos.
Texto: Felisberto Ruco





