Maputo, 13 Out (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, considera que os mais de 1.500 comités locais de gestão do risco de calamidades constituem o principal factor para a redução do número de vítimas de cheias, inundações e ciclones em Moçambique.

Chapo falava hoje, em Maputo, na abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África, onde destacou o papel das comunidades na prevenção e na resposta a fenómenos naturais extremos.

“Estes é que são os verdadeiros campeões, estes é que são os heróis do salvamento de vidas do povo moçambicano”, afirmou, referindo-se aos membros dos comités que actuam nas zonas mais vulneráveis, alertando as populações em línguas locais, através de megafones e rádios comunitárias.

Segundo o Chefe de Estado, a actuação antecipada destas estruturas permite retirar pessoas das zonas de risco antes da ocorrência de desastres, contribuindo para reduzir as perdas humanas.

Como exemplo, apontou as cheias de 2026, que, apesar de terem sido de maior magnitude do que as registadas em 2000, provocaram menos de 200 mortes, contra mais de 700 há 26 anos.

“Actuamos como um autêntico exército ao nível do país, desde o topo até à base”, explicou, acrescentando que os comités permanecem no terreno de forma contínua, mesmo perante condições meteorológicas adversas.

O Presidente da República defendeu a modernização dos sistemas de aviso prévio, o reforço de infra-estruturas resilientes e a capacitação das comunidades locais, considerando estas medidas fundamentais para reduzir os impactos humanos e económicos dos desastres naturais.

O estadista salientou que Moçambique se encontra entre os dez países do mundo mais afectados por desastres naturais, devido à sua localização geográfica, estando exposto a ciclones, cheias, inundações e secas. Alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, que poderá afectar a produção agrícola nos próximos tempos.

Chapo lamentou igualmente que a insuficiência de recursos financeiros e os atrasos na disponibilização dos apoios internacionais comprometam os esforços de reconstrução dos países africanos.

“Esta conferência é, por isso, oportuna e necessária, devendo conduzir-nos para além do diálogo rumo à acção”, afirmou, apelando ao reforço da cooperação e do financiamento climático, bem como à adopção de soluções ajustadas à realidade do continente.

A conferência decorre num contexto de crescente exposição dos países africanos a fenómenos climáticos extremos, com Moçambique a defender o reforço dos mecanismos de prevenção e de resposta para reduzir as perdas humanas e materiais.

(AIM)

NL/pc