A União Africana (UA) defendeu esta terça-feira (13), em Maputo, mais investimento na prevenção de desastres naturais e nos sistemas de alerta precoce, advertindo que os fenómenos climáticos extremos continuam a comprometer o crescimento económico, as infra-estruturas e as finanças públicas dos países africanos.
O apelo foi feito pelo comissário da UA para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, Moses Vilakati, na abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África, que decorre de 13 a 15 de Outubro, em Maputo, e reúne cerca de 500 participantes.
Perante o Presidente, Daniel Chapo, Vilakati sustentou que África precisa de transformar os compromissos políticos em medidas concretas de prevenção, sobretudo numa altura em que o continente enfrenta riscos climáticos crescentes. “Temos de passar decisivamente dos compromissos à implementação”, afirmou o comissário. Apesar dos avanços tecnológicos na previsão e monitorização de fenómenos extremos, sublinhou, muitos países continuam a tomar medidas só depois de os desastres ocorrerem.
Esta abordagem, segundo Vilakati, compromete o desenvolvimento económico e social, uma vez que as catástrofes destroem infra-estruturas, prejudicam a produção agrícola, reduzem os rendimentos das famílias e aumentam a pressão sobre os orçamentos dos Estados. “Não podemos continuar a prever desastres com precisão e responder apenas depois de os meios de subsistência e as economias já terem sido afectados”, advertiu.
Os efeitos, acrescentou, vão além das perdas humanas imediatas: uma catástrofe pode destruir em poucos dias investimentos e progressos económicos acumulados ao longo de vários anos. Por isso, os recursos destinados à prevenção devem ser encarados como investimentos estratégicos para proteger as economias africanas, e não como despesa adicional dos governos.
Vilakati apontou ainda a necessidade de reforçar os mecanismos de financiamento da acção antecipada, melhorar os sistemas de alerta precoce e garantir que as comunidades mais vulneráveis disponham de informação e de meios para responder aos riscos.
O comissário destacou as conclusões do Fórum Africano de Alertas Precoces, realizado de 2 a 4 de Setembro, em Adis Abeba, na Etiópia, que recomendou o reconhecimento destes sistemas como instrumentos de interesse público, fundamentais para reduzir perdas humanas e económicas.
No plano internacional, Vilakati defendeu igualmente maior acesso ao financiamento climático, em particular para a adaptação, a resiliência e a compensação por perdas e danos. Segundo Vilakati, África continua a sofrer impactos desproporcionados das alterações climáticas sem receber financiamento suficiente para lhes responder.
O comissário apelou, por isso, aos governos e aos parceiros internacionais para que assumam compromissos acompanhados de recursos financeiros e de metas concretas, capazes de produzir resultados mensuráveis na redução dos riscos.
A Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África reúne em Maputo representantes de governos africanos, organizações regionais, agências das Nações Unidas e instituições parceiras, para discutir estratégias de prevenção, preparação e resposta a fenómenos extremos.
Texto: Felisberto Ruco





