A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Ana Xavier, afirmou nesta segunda-feira, 12 de Outubro, em Luanda, que Angola é um parceiro estratégico insubstituível para Portugal, tanto nas relações bilaterais como nos planos regional e multilateral.
Na sua primeira visita a Angola desde que assumiu o cargo, Ana Xavier afirmou que Portugal pretende aprofundar a cooperação com o país africano, através do próximo Programa Estratégico de Cooperação (PEC), para o período 2027-31, de modo a responder às prioridades e aos planos nacionais de desenvolvimento angolanos.
Segundo a governante, o PEC 2023-27 já ultrapassou as melhores expectativas, com uma execução de 70 milhões de euros, acrescida de 187 milhões de euros em créditos. “São números que nos responsabilizam para assim olharmos para o próximo PEC 2027-31 com uma ambição renovada”, afirmou, defendendo um programa alinhado com as prioridades definidas em conjunto pelos dois países.
Ana Xavier destacou a presença económica e social portuguesa em Angola, onde mais de 1250 empresas portuguesas investem em áreas como o emprego e a formação, enquanto mais de 3700 empresas exportam para o mercado angolano. A governante referiu ainda a existência de cerca de 130 mil portugueses em Angola e mais de 90 mil angolanos em Portugal, segundo dados de 2025.
Com base numa parceria assente no respeito mútuo e na confiança, os dois países pretendem desenvolver uma cooperação “mais pragmática, ambiciosa, orientada para resultados”, salientou Ana Xavier. Uma missão técnica portuguesa está já preparada para se deslocar a Angola, com o objectivo de avaliar a execução do programa em vigor e preparar o próximo.
Entre as áreas prioritárias identificadas pelos dois governos estão o capital humano, a saúde, a formação, a juventude, a modernização administrativa, a justiça, a agricultura e a cultura. Ana Xavier agradeceu igualmente o apoio de Angola à candidatura portuguesa, bem-sucedida, a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cujo mandato terá início em 2027.
Por sua vez, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, destacou o ritmo “muito bom de visitas de alto nível” entre os dois países e defendeu o reforço da coordenação entre as equipas técnicas para identificar eventuais dificuldades e garantir resultados concretos para as populações. “A nossa proposta é que reforcemos a coordenação entre as nossas equipas técnicas para identificarmos rapidamente qualquer constrangimento e garantirmos que o impacto seja efectivamente para as nossas populações”, afirmou.
O governante angolano destacou o sector da educação, em particular o programa “Saber Mais”, apoiado por Portugal, que contribui para a formação de professores angolanos. Referiu também a disponibilidade de Angola para inaugurar, em conjunto com Portugal, o centro de recursos da Escola do Magistério Mutu Ya Kevela, financiado pelo Instituto Camões. “Da nossa parte há total disponibilidade, vamos articular com o Ministério da Educação para encontrarmos a melhor data”, afirmou, sublinhando a importância da sustentabilidade do projecto.
Além da educação, Angola pretende reforçar as parcerias entre empresas angolanas e portuguesas, com transferência de tecnologia, promover a formação de quadros da administração pública e o intercâmbio de boas práticas, bem como valorizar a língua portuguesa através do intercâmbio académico e científico. No plano multilateral, o país considera importante a concertação com Portugal nas Nações Unidas, na União Europeia e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Fonte: Lusa





