A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC, na sigla em inglês) planeia aumentar os investimentos directos no capital de empresas, incluindo em África e no sector dos minerais críticos, afirmou a responsável da agência para o continente africano. A iniciativa surge numa altura em que os Estados Unidos da América (EUA) intensificam os esforços para reduzir o domínio da China nas principais cadeias de abastecimento globais.

Os minerais críticos tornaram-se um dos principais focos da concorrência económica internacional, com os EUA e outras grandes economias a procurarem garantir o acesso a matérias-primas essenciais para veículos eléctricos e energias renováveis, reduzindo simultaneamente a dependência da China.

Em Setembro, a DFC, principal braço de investimento do Governo norte-americano, anunciou que iria investir até 155 milhões de dólares na WIOCC, uma empresa africana de infra-estruturas digitais. Segundo a agência, trata-se do maior investimento directo no capital de uma empresa alguma vez assumido pela instituição.

A directora regional da DFC para África, Vibhuti Jain, afirmou à Reuters que a agência pretende recorrer a investimentos directos no capital das empresas, além de outros instrumentos financeiros ou em substituição destes, quando os projectos tiverem importância estratégica. “Verão a utilização de investimentos em capital, além de outros instrumentos ou em substituição destes, quando houver importância estratégica”, referiu.

Jain adiantou que a agência tem actualmente vários projectos em análise para investimentos desta natureza, incluindo em África e no sector dos minerais críticos, mas não revelou detalhes. A responsável acrescentou que, num futuro próximo, o financiamento através de empréstimos, garantias de crédito e seguros contra riscos políticos continuará a representar uma parcela superior à dos investimentos directos no capital das empresas.

“Mas penso que, à medida que a agência continuar a crescer, faremos mais investimentos em capital”, afirmou a responsável, indicando que esta modalidade deverá ganhar importância na actividade da instituição.

A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos tem compromissos de investimento superiores a 14 mil milhões de dólares em África, segundo Jain, que destacou os projectos de minerais críticos e as iniciativas ligadas a este sector como um dos principais motores dos novos investimentos. De acordo com a agência, mais de três mil milhões de dólares desses compromissos estão associados aos minerais críticos.

“Este é, de facto, um sector ao qual estamos a prestar muita atenção”, afirmou Jain. Entre os projectos africanos apoiados pela DFC encontram-se iniciativas relacionadas com terras raras e uma mina de grafite em Moçambique, matérias-primas importantes para várias aplicações industriais e tecnológicas.

Além do financiamento de projectos ligados aos minerais críticos, a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos apoia a reabilitação do Corredor do Lobito, uma via de transporte que liga as minas de cobre e cobalto em África à costa atlântica. A infra-estrutura é considerada estratégica para facilitar o transporte destes minerais e reforçar as ligações entre as zonas de produção e os mercados internacionais.

Fonte: Reuters