A Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) alertou para a redução do número de novas ligações de electricidade fora da rede, que caiu para 122 mil em 2025, abaixo das 180 mil a 200 mil ligações anuais consideradas necessárias para cumprir a meta de acesso universal à energia até 2030.
O alerta foi feito na quinta-feira, 8 de Outubro, em Maputo, pelo presidente da associação, Ricardo Pereira, durante a abertura do Fórum Bianual de Energia Fora da Rede em Moçambique, que reúne representantes do sector para discutir os desafios e as perspectivas de expansão da electrificação no País.
Segundo o responsável, as vendas de sistemas solares domésticos têm vindo a diminuir desde 2024, uma tendência que poderá comprometer o contributo das soluções fora da rede para a electrificação das comunidades ainda não abrangidas pela rede nacional.
Ricardo Pereira chamou também a atenção para as desigualdades no acesso à electricidade entre as zonas urbanas e rurais, onde as taxas de electrificação se situam em cerca de 89% e 30%, respectivamente.
“Os números de 2025 contam duas histórias: a taxa de electrificação atingiu 66,4%, acima das projecções, e a rede nacional está praticamente ao ritmo necessário para a meta de 2030”, afirmou.
Apesar dos progressos registados, o presidente da AMER advertiu que o cumprimento da meta de acesso universal até 2030 dependerá cada vez mais da expansão das soluções fora da rede, nomeadamente dos sistemas solares domésticos e das mini-redes.
Estas tecnologias estão contempladas nos principais instrumentos nacionais de planeamento energético, incluindo a Estratégia de Transição Energética Justa e o Compacto Nacional de Energia.
O responsável referiu ainda a conclusão do Plano Nacional de Electricidade de Menor Custo, que disponibiliza uma base técnica para identificar as soluções de electrificação mais adequadas às diferentes regiões do País.
“Os números de 2025 contam duas histórias: a taxa de electrificação atingiu 66,4%, acima das projecções, e a rede nacional está praticamente ao ritmo necessário para a meta de 2030”
Ricardo Pereira destacou igualmente a aprovação dos regulamentos de concessão de electricidade e da taxa de acesso universal, considerando que estes instrumentos poderão contribuir para atrair investimento para o sector.
Referiu também a intenção de criar uma coligação estratégica para financiar a electrificação fora da rede, anunciada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Setembro.
Segundo o dirigente, a iniciativa poderá mobilizar cerca de mil milhões de dólares para viabilizar aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede.
Apesar das dificuldades, Ricardo Pereira identificou sinais de expansão do mercado, destacando o aumento do número de prestadores de serviços registados na Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), de 26, em 2024, para 67, em 2025.
Defendeu, contudo, que o crescimento do número de operadores deve traduzir-se numa maior capacidade de execução dos projectos, sobretudo no segmento das mini-redes, onde persistem dificuldades relacionadas com a preparação dos concursos e a viabilidade financeira dos investimentos.
Neste contexto, destacou o Programa de Promoção de Mini-Redes Renováveis em Moçambique (PROMR-MZ), que já mobilizou mais de 60 milhões de euros e prevê o lançamento de um primeiro concurso para cerca de 100 mini-redes nas províncias de Tete, Zambézia e Niassa.





