Maputo (O Destaque) – A suspensão da concessão da fronteira de Machipanda, determinada pelo Tribunal Administrativo, continua a alimentar o debate em torno da adjudicação do projecto. António Muchanga considera que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o desfecho do processo, mas levanta dúvidas sobre a transparência das instituições e a disputa entre as empresas interessadas.

“Suspensão não é anulação. Vamos ver até onde o Tribunal Administrativo chega com isso”, afirmou Muchanga, defendendo que é necessário acompanhar os próximos passos do processo antes de se concluir se a adjudicação será anulada ou não.

O político questiona também a actuação do Tribunal Administrativo, relacionando as suas dúvidas com outros processos que têm estado sob escrutínio público, incluindo o caso da aquisição de tractores.

“Tudo é suspeito no Tribunal Administrativo, até no caso dos tractores. Acho que vamos esperar para ver se vai se anular ou não”, declarou, sublinhando que o desfecho da disputa pela concessão de Machipanda continua em aberto.

“A corrupção está nas veias, do topo à base”

Para além das questões judiciais, Muchanga considera preocupante a disputa entre as empresas interessadas na adjudicação, questionando a seriedade dos intervenientes e os interesses que poderão estar por detrás do processo.

“Não é saudável a disputa na adjudicação. A corrupção está nas veias, do topo à base, da base ao topo”, afirmou.

O político levantou ainda dúvidas sobre as relações entre os concorrentes e os investidores estrangeiros, admitindo a possibilidade de algumas empresas procurarem associar-se a grupos chineses para continuarem envolvidas no negócio.

“Se calhar, quem está a degladiar não tem dinheiro, só depois vai se associar com os chineses”, declarou.

Na sua avaliação, o processo de concessão da fronteira de Machipanda reflecte problemas mais amplos de transparência e confiança nas instituições públicas.

“Há muita falta de seriedade neste país”, concluiu Muchanga.

Entretanto, num comunicado de imprensa datado de 14 de Outubro de 2026, o Governo esclareceu que o concurso público para a concessão de Machipanda não foi cancelado, embora esteja sujeito a uma providência cautelar determinada pelo Tribunal Administrativo. O Executivo considera que a medida judicial tem natureza provisória e afirma que aguarda os procedimentos legais aplicáveis.

A diferença entre a suspensão cautelar e o cancelamento definitivo do concurso permanece, assim, no centro da controvérsia. O esclarecimento sobre os efeitos da decisão judicial e o futuro da adjudicação dependerá dos desenvolvimentos do processo e das decisões das entidades competentes.