Os grupos insurgentes que actuam em Cabo Delgado estarão a distribuir alimentos alegadamente roubados para conquistar a lealdade de civis, aproveitando-se da fome e da vulnerabilidade económica das comunidades. A denúncia foi feita pelo pesquisador comunitário e presidente da Associação Kuendeleya, Abudo Gafuro Manana.
Em entrevista exclusiva à Zumbo FM Notícias, no domingo, 18 de Outubro de 2026, Manana explicou que esta prática foi identificada no âmbito de uma pesquisa exploratória e de campo que afirma ter realizado em diferentes distritos da província.
Segundo o pesquisador, os insurgentes procuram tirar partido das dificuldades económicas enfrentadas pelas populações para criar relações de dependência e obter apoio de alguns membros das comunidades.
“A maior parte da zona costeira […] o grupo rebelde compra a consciência dos cidadãos civis”, declarou.
Alimentos seriam provenientes de assaltos na estrada N380
De acordo com Manana, os produtos alimentares distribuídos pelos insurgentes seriam obtidos através de assaltos a camiões e outras viaturas que transportam mercadorias ao longo da estrada N380.
O pesquisador afirmou que, depois desses ataques, os grupos armados entregam parte dos produtos às populações que enfrentam dificuldades para assegurar a alimentação das suas famílias.
“Acabam fornecendo à população mais vulnerável que está com fome os produtos alimentares de arroz, ou óleo e outros cereais”, explicou.
Na sua perspectiva, a distribuição de alimentos não representa apenas uma forma de assistência às comunidades vulneráveis, podendo também constituir uma estratégia para conquistar apoio local e facilitar a movimentação dos insurgentes.
“Acabam oferecendo à população […] para comprar a sua lealdade”, afirmou, acrescentando que os grupos armados procurariam obter a colaboração de civis durante as suas incursões.
Pesquisador alerta para possível utilização de civis como escudos humanos
Manana alegou ainda que algumas das pessoas que colaboram com os insurgentes poderão ser utilizadas como escudos humanos durante as operações contra as forças de segurança.
Contudo, não apresentou elementos independentes que permitam confirmar a dimensão desta alegada prática nem identificar as pessoas que estariam envolvidas.
O pesquisador considera que a vulnerabilidade económica das comunidades costeiras é um factor que deve merecer atenção nas estratégias de prevenção do extremismo violento em Cabo Delgado.
Defesa de medidas sociais e reforço da segurança
Para Abudo Gafuro Manana, as operações militares devem ser acompanhadas por medidas de protecção social, pelo reforço da segurança nas vias utilizadas para o transporte de mercadorias e pela criação de alternativas económicas para as populações.
O responsável defende igualmente uma maior coordenação entre as autoridades, a sociedade civil e os diferentes intervenientes nos programas de prevenção da violência.
As declarações relativas à distribuição de alimentos alegadamente roubados e ao recrutamento ou à utilização de civis pelos insurgentes não foram confirmadas de forma independente pela Zumbo FM Notícias.
Fonte: Zumbo FM Notícias



