Um médico de Clínica Geral, formado pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), denuncia possíveis irregularidades no concurso público de ingresso lançado em Agosto pela Direcção Provincial de Saúde do Niassa. Segundo o denunciante, dos 57 médicos que concorreram às vagas, apenas 11 foram seleccionados para a fase das entrevistas profissionais, agendadas para o dia 18 do mês em curso.
O profissional questiona os fundamentos utilizados para excluir alguns candidatos, sobretudo a alegada falta de documentos nos processos submetidos. De acordo com o seu relato, durante a entrega dos envelopes, os funcionários responsáveis abriam os processos e informavam os concorrentes de que a documentação estava em ordem. Por esse motivo, considera que existem dúvidas sobre os critérios posteriormente aplicados na avaliação das candidaturas.
Outra das justificações apontadas para a exclusão de candidatos terá sido o preenchimento incorrecto dos requerimentos. O médico considera este argumento questionável, alegando que entre os profissionais excluídos existem pessoas que exercem funções docentes em institutos e universidades.
Na sua perspectiva, caso existisse um modelo específico para a elaboração dos requerimentos, a Direcção Provincial de Saúde deveria ter disponibilizado uma minuta para orientar os candidatos e evitar possíveis erros no preenchimento dos documentos.
O denunciante considera injusto que médicos submetidos a vários anos de formação académica e profissional, incluindo um estágio integral de aproximadamente 10 meses durante o último ano do curso, sejam afastados do concurso por motivos que considera pouco claros.
O profissional levanta ainda suspeitas de um possível favorecimento de candidatos com influência ou capacidade financeira. Contudo, não apresenta provas que sustentem essas alegações, que permanecem por confirmar.
Outra preocupação manifestada pelo médico está relacionada com o curto intervalo entre a divulgação dos resultados, realizada no dia 12, e a data prevista para as entrevistas, marcada para o dia 18.
Na sua avaliação, o prazo poderá dificultar a apresentação de reclamações por parte dos candidatos que contestam a sua exclusão, sobretudo daqueles que não residem na província do Niassa e que poderão enfrentar dificuldades para se deslocar e tratar dos respectivos procedimentos.
O denunciante acrescenta que alguns dos concorrentes excluídos estão a participar pela segunda vez num concurso semelhante. Segundo o seu relato, esses profissionais conseguiram alcançar a fase das entrevistas na edição anterior, situação que aumenta as dúvidas levantadas sobre os critérios aplicados no processo actual.
Perante estas circunstâncias, o médico apela à transparência na selecção dos candidatos e defende a revisão dos resultados divulgados pela Direcção Provincial de Saúde do Niassa.
O profissional considera que as alegadas irregularidades devem ser devidamente esclarecidas, tendo em conta a necessidade de médicos no país e a importância de assegurar que os processos de recrutamento sejam conduzidos com critérios claros, justos e transparentes.



Até ao momento, no material disponibilizado, não consta um posicionamento da Direcção Provincial de Saúde do Niassa sobre as denúncias apresentadas.



