O porta-voz da Renamo, Marcial Macome, criticou a actuação do Governo moçambicano perante os problemas socioeconómicos do país e classificou a actual vaga de emigração de cidadãos para Portugal como uma “espécie de escravatura”.
Em entrevista exclusiva ao jornal Dossiers & Factos, Macome acusou o Estado de não conseguir responder às necessidades básicas da população e defendeu uma mudança urgente nas prioridades governamentais. Na sua análise, a falta de condições de vida e de oportunidades compromete a estabilidade social, uma vez que, como afirmou, “não existe paz numa casa onde há fome”.
O dirigente da Renamo considerou que a escassez de oportunidades de emprego e a reduzida capacidade de produção nacional levam muitos moçambicanos a procurar, no estrangeiro, alternativas para garantir a própria sobrevivência.
Marcial Macome traça paralelo com a migração para as minas sul-africanas
Ao abordar a emigração para Portugal, o porta-voz da Renamo estabeleceu uma comparação entre a actual procura de emprego no país europeu e o passado migratório dos moçambicanos que se deslocavam para trabalhar nas minas da África do Sul.
“Antigamente, os nossos pais e avós iam trabalhar nas minas da África do Sul. Hoje, muitos sonham em ir para Portugal trabalhar como serventes, carpinteiros ou pedreiros, enquanto as nossas irmãs procuram emprego doméstico na Europa”, declarou Marcial Macome.
Na perspectiva do dirigente político, esta mudança reflecte a persistência das dificuldades económicas e a falta de condições para que os cidadãos encontrem oportunidades de trabalho e melhores perspectivas de vida dentro do próprio país.
Porta-voz acusa Governo de normalizar a situação
Macome acusou ainda o Executivo de procurar normalizar o fenómeno migratório, transformando-o, na sua interpretação, numa espécie de política de Estado.
“Evoluímos para uma espécie de escravatura: antes, os régulos vendiam pessoas aos portugueses; hoje, é o próprio Governo que, em nome da cooperação, expõe os cidadãos à servidão”, afirmou o porta-voz da Renamo.
Para sustentar as suas críticas, o político chamou a atenção para a vulnerabilidade enfrentada pelos moçambicanos que partem para o estrangeiro à procura de emprego. Segundo Macome, muitos deixam o país sem garantias de acesso a serviços de saúde, habitação ou mecanismos de apoio quando chegam ao destino.
As declarações colocam em evidência as preocupações do dirigente da Renamo sobre as condições socioeconómicas em Moçambique, a falta de oportunidades de emprego e a protecção dos cidadãos que procuram melhores condições de vida fora do país.



