Proposta de aumento da tarifa ainda não foi aprovada. Compensações prometidas pelo Governo Central há três meses continuam por chegar e sem esclarecimentos oficiais sobre a sua implementação.
Os transportadores semi-colectivos de passageiros da cidade da Beira ameaçam paralisar as suas actividades caso não seja aprovado o aumento da tarifa. Perante a ameaça, o Conselho Municipal apela à calma e garante que a proposta apresentada pela Associação dos Transportadores está ainda em análise.
A reunião entre a edilidade e a Associação, inicialmente prevista para esta semana, não se realizou, tendo sido remarcada para segunda ou terça-feira da próxima semana. No encontro, as duas partes deverão analisar, ponto por ponto, a proposta de aumento das tarifas.
Segundo a vereadora dos Transportes do Município da Beira, Flora Impula, a proposta ainda não foi aprovada pelo Executivo Municipal. Depois dessa etapa, o documento deverá ser submetido à Assembleia Municipal, órgão que, nos termos da lei, tem competência para aprovar as tarifas.
“Entre segunda e terça-feira teremos um encontro no Município com a Associação para debatermos as tarifas propostas. Ainda não está aprovado pelo nosso Executivo. Depois da aprovação do Executivo, vamos fazer chegar o documento à Assembleia Municipal. Cabe à Assembleia aprovar, de acordo com o que está legislado”, explicou a vereadora.
COMPENSAÇÕES QUE NÃO CHEGAM
Para além da questão tarifária, os transportadores enfrentam dificuldades relacionadas com as compensações prometidas pelo Governo Central, na sequência do aumento do preço dos combustíveis.
Já passaram três meses desde o anúncio da medida. O pagamento das compensações deveria iniciar no quarto mês, mas, até ao momento, nenhum transportador recebeu qualquer valor. O Município afirma igualmente que ainda não recebeu qualquer documento oficial a esclarecer a continuidade ou o eventual fim do programa.
“Nós recebemos uma informação de que o Estado ia dar compensações aos nossos transportadores, mas ainda não recebemos um documento indicando o contrário. Era bom que o Estado fizesse o mesmo que no passado, que mandasse um documento por escrito”, lamentou Flora Impula.
A vereadora sublinhou que a situação dos transportadores preocupa a edilidade, por ser o Município a entidade que mantém contacto directo com os munícipes.
“A dor dos nossos transportadores é a dor dos municípios, porque quem vela pelos munícipes somos nós”, afirmou.
APELO CONTRA A GREVE
Enquanto aguarda por uma decisão formal sobre a proposta de aumento das tarifas, o Conselho Municipal apela aos transportadores para que não avancem com a paralisação das actividades nem pratiquem preços especulativos.
“Quero pedir aos nossos transportadores que tenham paciência, que esperem que os assuntos sejam aprovados de forma legal. Não façam preços especulativos. A greve não é bem-vinda. O que é bem-vindo é o munícipe ter transporte na hora que quer e para onde quer chegar”, apelou a vereadora dos Transportes.
O encontro previsto para segunda ou terça-feira da próxima semana poderá ser determinante para a procura de uma solução para o diferendo e para evitar a paralisação dos transportes públicos na cidade da Beira.



