A subida dos preços e os custos da energia continuam a preocupar as principais autoridades monetárias. A Reserva Federal dos Estados Unidos manteve os juros, mas o Banco de Inglaterra voltou a aumentá-los, e o Banco Central Europeu já tinha tomado uma decisão semelhante em Setembro.

Os principais bancos centrais continuam atentos à inflação, num cenário marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelo aumento dos custos da energia. O controlo dos preços continua a ser uma prioridade.

Nos Estados Unidos, a Reserva Federal decidiu, a 28 de Outubro, manter a taxa de referência entre 3,75% e 4%. A instituição considera que a inflação permanece elevada e que precisa de acompanhar os indicadores económicos.

Na zona euro, o Banco Central Europeu aumentou, em Setembro, as suas três principais taxas de juro em 0,25 pontos percentuais. A taxa aplicada aos depósitos passou para 2,50%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento subiu para 2,65%. A instituição apontou a pressão inflacionista associada ao conflito no Médio Oriente como uma das razões para a decisão.

No Reino Unido, o Banco de Inglaterra anunciou, nesta quinta-feira, a subida da taxa de referência de 3,75% para 4%. Foi o primeiro aumento em mais de três anos. A decisão surge depois de a inflação britânica ter atingido 3,5% em Setembro, acima da meta de 2%. O aumento dos preços dos combustíveis, associado à guerra no Irão e às dificuldades no transporte de energia, está entre os factores que pressionam os preços.

Quando os bancos centrais aumentam os juros, os empréstimos ficam mais caros. Famílias e empresas tendem a recorrer menos ao crédito, reduzindo despesas e procura. Assim, a pressão sobre os preços pode diminuir.

Mas esta estratégia também tem custos. Juros elevados podem dificultar o financiamento das empresas, reduzir o consumo e adiar investimentos, afectando o crescimento económico e a criação de emprego.

A evolução dos preços da energia será determinante para as próximas decisões. Se o petróleo e o gás continuarem caros, os custos de produção e transporte poderão manter a inflação elevada. Uma descida sustentada poderá aliviar a pressão sobre os preços e reduzir a necessidade de novos aumentos das taxas.

Para Moçambique, que importa combustíveis, a evolução dos preços internacionais da energia influencia a factura de importação e os custos de transporte e produção. Juros elevados nas principais economias podem também encarecer o financiamento nos mercados internacionais.