A multinacional norte-americana aproxima-se de decisões finais de investimento em dois grandes projectos de gás natural liquefeito, localizados em África e na Ásia-Pacífico, com capacidade conjunta prevista de 24,2 milhões de toneladas anuais. O Rovuma LNG, em Cabo Delgado, representa 18,6 milhões de toneladas e um investimento estimado em cerca de US$ 30 mil milhões, enquanto o Papua LNG contempla 5,6 milhões de toneladas e um orçamento revisto para US$ 14 mil milhões. A ExxonMobil deverá assumir também a operação do projecto asiático, numa reorganização que reforça a sua presença no mercado global de GNL. As duas decisões são esperadas para 2026, com o quarto trimestre a adquirir particular relevância, embora ainda não tenham sido formalmente anunciadas.

Questões-Chave:

  • ExxonMobil aproxima-se das decisões finais de investimento no Rovuma LNG, em Moçambique, e no Papua LNG, na Papua-Nova Guiné, com capacidade combinada prevista de 24,2 milhões de toneladas anuais;
  • Rovuma LNG representa 18,6 milhões de toneladas anuais e um investimento estimado em cerca de US$ 30 mil milhões, tendo adjudicado US$ 1,1 mil milhões em contratos de pré-investimento;
  • Papua LNG prevê produzir 5,6 milhões de toneladas anuais e apresenta um orçamento de aproximadamente US$ 14 mil milhões, depois de uma redução de custos próxima de US$ 4 mil milhões;
  • TotalEnergies acordou transferir a operação do Papua LNG para a ExxonMobil, que deverá elevar a sua participação no projecto para 34,1%, enquanto o grupo francês manterá 20%;
  • Os dois investimentos representam aproximadamente US$ 44 mil milhões em capital estimado, embora parte dos custos e compromissos financeiros permaneça sujeita às decisões finais dos respectivos consórcios;
  • A nova capacidade, caso seja aprovada, reforçará a diversificação geográfica do fornecimento de gás natural, especialmente para os mercados asiáticos;
  • Segurança, financiamento, contratos comerciais, calendário de execução e participação dos fornecedores nacionais continuam entre os factores determinantes para a concretização dos projectos.

A ExxonMobil prepara-se para um trimestre potencialmente decisivo na sua estratégia internacional de gás natural liquefeito, com dois grandes investimentos em fase avançada de preparação para as respectivas decisões finais: o Rovuma LNG, na Bacia do Rovuma, em Moçambique, e o Papua LNG, na Papua-Nova Guiné.

Os empreendimentos apresentam uma capacidade conjunta prevista de 24,2 milhões de toneladas anuais de GNL e investimentos globais estimados em aproximadamente US$ 44 mil milhões, valores que colocam as duas operações entre os desenvolvimentos energéticos de maior dimensão actualmente em preparação.

A perspectiva foi destacada numa análise publicada a 12 de Outubro pela plataforma especializada Global LNG Info, que identifica o quarto trimestre de 2026 como uma possível janela para a aprovação dos dois investimentos.

A informação ganha consistência com os anúncios oficiais realizados pela ExxonMobil, pela TotalEnergies e pelos respectivos parceiros nos últimos dois meses.

Em Moçambique, a ExxonMobil anunciou, a 17 de Agosto, a adjudicação de aproximadamente US$ 1,1 mil milhões em contratos de pré-investimento, envolvendo equipamentos submarinos, válvulas industriais e tubagens destinadas ao desenvolvimento da Área 4.

Na Papua-Nova Guiné, a TotalEnergies anunciou, a 7 de Setembro, a conclusão de importantes etapas comerciais e contratuais, incluindo uma redução de custos de cerca de US$ 4 mil milhões, novos acordos de comercialização e a transferência prevista da operação do projecto para a ExxonMobil.

A alteração transforma a empresa norte-americana no futuro operador de dois grandes empreendimentos em desenvolvimento em regiões geograficamente distintas, aumentando a importância do seu portefólio internacional de GNL.

Importa, contudo, distinguir decisões de investimento de entrada em produção. Os 24,2 milhões de toneladas representam capacidade anual projectada, que apenas estará disponível após a construção, conclusão técnica e entrada em funcionamento das instalações. Também não existe confirmação oficial de que os dois consórcios tenham aprovado definitivamente os respectivos investimentos.

A perspectiva de decisões durante o último trimestre surge num período em que a indústria internacional de GNL enfrenta simultaneamente a necessidade de diversificar fornecedores, reduzir custos de desenvolvimento e preparar nova capacidade para responder à procura futura de gás natural.

Rovuma LNG Avança Para a Fase Decisiva Com US$ 1,1 Mil Milhões em Contratos

O Rovuma LNG constitui o maior dos dois empreendimentos em preparação e representa uma das principais apostas internacionais da ExxonMobil no desenvolvimento de novas fontes de gás natural.

Localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, o projecto contempla uma capacidade inicial de 18,6 milhões de toneladas anuais, distribuída por 12 módulos de liquefacção electricamente accionados.

As instalações serão abastecidas por recursos gasíferos localizados em águas profundas, através de sistemas submarinos de produção e gasodutos que transportarão o gás até ao complexo industrial de Afungi.

O investimento global é estimado em cerca de US$ 30 mil milhões, com a primeira produção actualmente prevista para 2031, segundo a comunicação da ExxonMobil de Agosto.

A aproximação à decisão final de investimento tornou-se mais evidente com a aceleração dos compromissos contratuais durante o terceiro trimestre.

Em 10 de Agosto, a ExxonMobil anunciou a selecção do consórcio SMDC, integrado pela Saipem, McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para apoiar a engenharia e preparação das instalações terrestres.

Uma semana depois, a companhia confirmou a adjudicação de aproximadamente US$ 1,1 mil milhões em contratos de pré-investimento para equipamentos de longa duração de fabrico e infra-estruturas submarinas.

Os contratos abrangem sistemas de produção submarina, válvulas industriais de grande dimensão, tubagens e equipamentos destinados à ligação dos campos de gás às instalações terrestres.

O maior contrato foi atribuído à OneSubsea, com participação da Aker Solutions Mozambique nas actividades a realizar no País. Outros fornecedores incluem a Advanced Technology Valve, Corinth Pipeworks, Sumitomo Corporation of America e Zhejiang Jiuli Hi-Tech Metals.

A antecipação destas encomendas permite iniciar o fabrico de equipamentos especializados antes da decisão final de investimento, reduzindo o risco de atrasos quando for autorizada a execução integral do projecto.

Trata-se, contudo, de contratos de pré-investimento, que não equivalem à aprovação definitiva dos US$ 30 mil milhões previstos para o desenvolvimento.

ExxonMobil Escolhe Empreiteiros e Introduz Fornecedores Moçambicanos na Logística

Em Setembro, o projecto registou novos avanços com a selecção do consórcio Saipem–Jan De Nul para trabalhos de engenharia e preparação da componente submarina.

A operação compreenderá o desenvolvimento inicial de 18 poços, além de sistemas de recolha e transporte do gás em águas profundas.

A ExxonMobil anunciou igualmente a adjudicação de contratos de apoio logístico a empresas estabelecidas em Moçambique.

Entre os adjudicatários encontram-se a CFML Logistic, S.A., responsável por serviços de infra-estruturas terrestres e apoio de base logística no Terminal de Granéis de Pemba, e a Alistair Group Mozambique, encarregada de serviços logísticos para as operações marítimas.

A integração destes fornecedores representa uma etapa concreta da participação nacional nas actividades preparatórias do Rovuma LNG.

Os serviços de apoio logístico têm importância operacional na mobilização de materiais, equipamentos e embarcações utilizados nas campanhas de perfuração e no desenvolvimento dos sistemas submarinos.

A instalação e utilização de infra-estruturas logísticas em Pemba poderá ainda gerar capacidades aproveitáveis por outras actividades portuárias, industriais e comerciais.

As oportunidades para fornecedores moçambicanos deverão aumentar caso seja aprovada a construção integral do empreendimento, embora a dimensão dos contratos dependa das necessidades técnicas e dos processos de contratação.

Segundo as estimativas divulgadas pela ExxonMobil, o projecto poderá gerar cerca de US$ 6 mil milhões em actividade económica local e oportunidades de trabalho para aproximadamente 7.500 moçambicanos durante a fase de execução.

A companhia prevê ainda cerca de 700 postos de trabalho nacionais associados à fase operacional.

Estes números representam projecções empresariais sobre os efeitos esperados do investimento, não resultados já concretizados.

Papua LNG Reduz Custos em US$ 4 Mil Milhões e Aproxima-se da Aprovação

Na Papua-Nova Guiné, o progresso assume uma configuração diferente.

O Papua LNG beneficia da existência de uma indústria de gás natural liquefeito já instalada, incluindo infra-estruturas operadas pela ExxonMobil através do PNG LNG.

A exploração dos campos Elk e Antelope deverá abastecer novas instalações de processamento e liquefacção, desenvolvidas com utilização parcial das infra-estruturas existentes.

O empreendimento apresenta uma capacidade anual de produção prevista de 5,6 milhões de toneladas de GNL.

Em Setembro, a TotalEnergies anunciou que uma revisão técnica e comercial realizada desde 2024 tinha permitido reduzir os custos estimados em aproximadamente US$ 4 mil milhões, colocando o investimento previsto em cerca de US$ 14 mil milhões.

A redução resulta da optimização do desenho industrial, da utilização de instalações existentes e da revisão dos concursos de engenharia e construção, incluindo uma maior participação de empreiteiros asiáticos.

A revisão dos custos constitui um desenvolvimento importante para a viabilidade financeira do projecto.

Empreendimentos de GNL exigem grandes compromissos de capital durante a construção e necessitam de assegurar condições comerciais que permitam recuperar o investimento ao longo de vários anos.

Uma redução de custos pode melhorar as perspectivas de rentabilidade, reduzir as necessidades de financiamento e tornar o projecto mais competitivo perante outros investimentos internacionais.

Além da revisão orçamental, os parceiros concluíram etapas relevantes do processo de contratação e renegociaram o acordo de gás com o Governo da Papua-Nova Guiné.

O empreendimento dispõe também de novos entendimentos comerciais destinados a apoiar a venda futura da produção.

TotalEnergies Transfere Operação do Papua LNG e ExxonMobil Passará a Deter 34,1%

A reorganização accionista do Papua LNG constitui um dos aspectos mais relevantes da estratégia em preparação.

A TotalEnergies anunciou que a operação do empreendimento será transferida para a ExxonMobil, permitindo integrar a gestão do novo projecto com a experiência e as infra-estruturas do PNG LNG.

A transferência está associada a uma reorganização das participações dos accionistas.

Após a conclusão das transacções previstas e o exercício dos direitos de participação do Estado da Papua-Nova Guiné, a ExxonMobil deverá deter 34,1% do empreendimento, enquanto a TotalEnergies permanecerá com 20%.

Papua LNG — Estrutura Accionista Prevista

Accionista Participação prevista
ExxonMobil (operador)34,1%
TotalEnergies20,0%
ENEOS Xplora, Kumul e MRDC, Santos45,9% (restante)

Fonte: TotalEnergies, comunicado de 7 de Setembro de 2026. As participações correspondem à estrutura prevista após a conclusão das operações anunciadas.

A transferência da operação representa uma alteração significativa da presença da ExxonMobil na região Ásia-Pacífico.

O grupo já dispõe de experiência operacional no PNG LNG, empreendimento que utiliza instalações próximas das previstas para o Papua LNG.

A gestão coordenada poderá permitir a utilização conjunta de infra-estruturas, serviços especializados, sistemas de manutenção e recursos operacionais.

A TotalEnergies continuará envolvida no investimento e na comercialização do gás produzido.

Os acordos anunciados prevêem a comercialização conjunta de 2,4 milhões de toneladas anuais de Papua LNG por entidades ligadas à TotalEnergies e ao Estado da Papua-Nova Guiné.

O grupo francês estabeleceu igualmente um entendimento preliminar para adquirir 1,5 milhão de toneladas anuais destinadas ao seu portefólio internacional.

Estes compromissos comerciais poderão melhorar a previsibilidade das receitas futuras e contribuir para a estruturação do financiamento.

Dois Projectos, Diferentes Modelos Industriais e US$ 44 Mil Milhões em Capital Previsto

Embora ambos os empreendimentos se encontrem numa etapa próxima da decisão final de investimento, apresentam estruturas industriais distintas.

O Rovuma LNG será desenvolvido como um grande complexo terrestre associado à exploração de recursos em águas profundas da Bacia do Rovuma.

O Papua LNG integra novas instalações com infra-estruturas existentes, reduzindo determinadas necessidades de investimento e permitindo aproveitar capacidade industrial já instalada.

Rovuma LNG e Papua LNG — Indicadores Comparativos

Indicador Rovuma LNG Papua LNG
LocalizaçãoMoçambiquePapua-Nova Guiné
Capacidade anual18,6 Mtpa5,6 Mtpa
Investimento estimadoUS$ 30 mil MUS$ 14 mil M
OperaçãoExxonMobilTransferência prevista para ExxonMobil
Decisão de investimentoObjectivo 2026Objectivo IV trimestre de 2026
Produção inicialPrevista para 2031Calendário definitivo dependente da FID

Mtpa: milhões de toneladas anuais. Valores de investimento estimados e sujeitos à aprovação final. Fontes: ExxonMobil, TotalEnergies e Papua LNG.

A capacidade conjunta prevista corresponde a 24,2 milhões de toneladas anuais, dos quais aproximadamente 77% pertencem ao Rovuma LNG.

Existe, porém, uma distinção técnica importante: no Papua LNG, a capacidade de produção prevista inclui a utilização de instalações existentes. O projecto contempla três novos comboios electrificados, com capacidade nominal conjunta de 4 milhões de toneladas anuais, complementados pelo acesso a capacidade já instalada no PNG LNG.

Consequentemente, os 24,2 milhões de toneladas representam a soma das capacidades de produção previstas para os dois empreendimentos, não significando que toda essa quantidade corresponda a novas instalações de liquefacção construídas de raiz.

A diferença é relevante para avaliar o investimento necessário, a expansão líquida de capacidade industrial e os custos unitários de desenvolvimento.

Novos Investimentos Surgem no Maior Ciclo de Expansão do Mercado Mundial de GNL

As possíveis decisões da ExxonMobil ocorrem numa fase de expansão da capacidade global de liquefacção.

Segundo o Global LNG Capacity Tracker da Agência Internacional de Energia, actualizado a 1 de Outubro, mais de 330 mil milhões de metros cúbicos anuais de capacidade de exportação de GNL poderão entrar em funcionamento entre 2025 e 2030, considerando empreendimentos já aprovados e em construção no início de 2025.

Trata-se de uma das maiores vagas de expansão registadas pela indústria mundial.

Os Estados Unidos lideram o ciclo de investimento, acompanhados por projectos no Canadá, Qatar, África e outras regiões produtoras.

A dimensão dos investimentos reflecte expectativas de crescimento da procura de gás natural, especialmente nos mercados asiáticos, mas também a necessidade de diversificação das origens de abastecimento.

A concentração de exportações em determinadas regiões tornou-se uma preocupação adicional perante os conflitos geopolíticos e as perturbações nas principais rotas marítimas.

A instabilidade no Médio Oriente e os riscos associados ao Estreito de Ormuz aumentaram a importância estratégica de novas fontes de fornecimento localizadas fora do Golfo Pérsico.

O relatório da AIE sobre o mercado do gás, divulgado em Julho, destacou que as interrupções do abastecimento provenientes do Médio Oriente tinham sido parcialmente compensadas pelo aumento da produção de outras regiões, incluindo América do Norte e África.

Contudo, a expansão mundial da capacidade também poderá aumentar a concorrência entre produtores durante os próximos anos.

Os empreendimentos aprovados terão de competir por compradores, contratos de longo prazo, financiamento e serviços industriais especializados.

Moçambique e Papua-Nova Guiné Ganham Relevância na Diversificação da Oferta

O interesse da ExxonMobil pelos dois projectos reflecte também a importância das respectivas localizações geográficas.

Moçambique dispõe de acesso ao Oceano Índico, proporcionando uma alternativa de abastecimento para mercados asiáticos e possibilidades comerciais com consumidores de outras regiões.

A Papua-Nova Guiné encontra-se numa posição próxima das principais economias importadoras de GNL da Ásia-Pacífico, beneficiando ainda da experiência industrial acumulada através do PNG LNG.

A expansão simultânea dos dois empreendimentos poderá contribuir para diversificar geograficamente o portefólio internacional da ExxonMobil.

Para os compradores, a diversificação das origens reduz determinados riscos associados à dependência de um número limitado de fornecedores ou corredores marítimos.

Para a companhia, a presença em diferentes regiões permite combinar oportunidades de comercialização, optimização de contratos e gestão de riscos de abastecimento.

A estrutura comercial dos projectos será, portanto, tão importante como a sua capacidade de produção.

Os contratos de longo prazo poderão oferecer previsibilidade financeira, enquanto a participação nos mercados de curto prazo permitirá aproveitar oportunidades associadas à evolução dos preços internacionais.

A combinação destas modalidades influenciará a rentabilidade e a capacidade dos consórcios para mobilizar financiamento.

Conteúdo Local e Participação da ENH Integram a Equação Económica de Moçambique

A aproximação do Rovuma LNG à decisão final de investimento apresenta implicações económicas que ultrapassam a construção de instalações de liquefacção.

O projecto poderá mobilizar procura por serviços de engenharia, construção, logística, transportes, alimentação, manutenção, formação profissional e fornecimento de equipamentos.

A participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), accionista do consórcio da Área 4, acrescenta uma dimensão financeira à execução do empreendimento.

Segundo a avaliação do FMI de Janeiro de 2026, a ENH detém uma participação económica de 10% no Rovuma LNG, integrada numa estrutura de financiamento associada aos parceiros do projecto.

A dimensão do investimento exige mecanismos financeiros capazes de assegurar o cumprimento dos compromissos accionistas sem agravar desnecessariamente as vulnerabilidades das finanças públicas.

A geração de receitas fiscais e dividendos deverá ocorrer progressivamente ao longo da vida operacional, sendo distinta da mobilização de despesas de investimento durante a construção.

A ExxonMobil apresentou estimativas de receitas públicas acumuladas de aproximadamente US$ 150 mil milhões ao longo de cerca de 30 anos, de acordo com os pressupostos utilizados pela companhia.

O montante representa uma projecção de longo prazo, sujeita à produção efectiva, preços de comercialização, custos operacionais e condições fiscais. Não constitui receita garantida nem valor disponível no horizonte imediato.

As oportunidades mais próximas relacionam-se com as despesas de construção, contratação de serviços e mobilização de trabalhadores.

A adjudicação de contratos logísticos a fornecedores nacionais em Setembro demonstra que algumas destas actividades começaram a ganhar expressão antes da decisão final de investimento.

O desenvolvimento das cadeias de fornecimento será determinante para ampliar a participação das PMEs e das empresas industriais nacionais nas fases seguintes.

A capacidade de assegurar certificações, financiamento, formação técnica e competitividade continuará a influenciar o aproveitamento dessas oportunidades.

Segurança e Execução Continuam Entre os Factores Decisivos do Rovuma LNG

Apesar dos avanços registados em engenharia e aprovisionamento, a decisão final de investimento no Rovuma LNG permanece sujeita à avaliação das condições comerciais, operacionais e de segurança.

Cabo Delgado continua a enfrentar riscos associados à actividade de grupos armados, situação que influenciou o desenvolvimento de grandes projectos energéticos na região durante os últimos anos.

A TotalEnergies retomou integralmente as actividades do Mozambique LNG em Janeiro de 2026, após a suspensão prolongada do empreendimento iniciada em 2021.

O avanço do Rovuma LNG ocorre, por isso, num contexto em que a indústria procura restabelecer condições estáveis de execução dos grandes investimentos.

A aprovação final exigirá que os parceiros avaliem a segurança das operações, os custos de construção, o enquadramento contratual, as condições de comercialização e a estrutura financeira.

A decisão terá igualmente de considerar a disponibilidade de empreiteiros e equipamentos, num mercado internacional em que vários grandes projectos competem simultaneamente por capacidade de engenharia e construção.

A adjudicação antecipada de equipamentos críticos constitui uma resposta a parte destes riscos, mas não substitui a necessidade de aprovação integral do investimento.

Na Papua-Nova Guiné, as principais exigências relacionam-se com a conclusão da reorganização accionista, formalização dos contratos, financiamento e execução dos trabalhos necessários para integrar as novas instalações com a infra-estrutura existente.

As duas operações apresentam, portanto, condições distintas para alcançar a decisão final de investimento, embora partilhem a necessidade de assegurar custos competitivos e previsibilidade de execução.

Quarto Trimestre Poderá Definir Uma Nova Etapa na Estratégia Global da ExxonMobil

A possibilidade de a ExxonMobil avançar simultaneamente com o Rovuma LNG e o Papua LNG representa uma etapa relevante da reorganização do investimento internacional em gás natural.

Os dois projectos poderão acrescentar 24,2 milhões de toneladas anuais de produção prevista ao portefólio de empreendimentos em desenvolvimento, mobilizando aproximadamente US$ 44 mil milhões em capital estimado.

O avanço do Papua LNG reflecte uma estratégia de redução de custos através da optimização industrial e do aproveitamento de infra-estruturas existentes.

O Rovuma LNG, por sua vez, representa uma operação de maior dimensão, associada ao desenvolvimento de novos recursos em águas profundas e à construção de um complexo terrestre de liquefacção em Moçambique.

A combinação dos dois projectos poderá reforçar a posição da ExxonMobil no abastecimento de gás natural aos mercados internacionais, particularmente na Ásia.

Para Moçambique, o quarto trimestre constitui uma etapa relevante do calendário do Rovuma LNG, num momento em que o País procura dinamizar o investimento privado e ampliar as perspectivas de crescimento económico.

A decisão final de investimento, caso se concretize, permitirá avançar para uma fase de execução mais intensa, com maior mobilização de equipamentos, empreiteiros e fornecedores.

Os resultados económicos dependerão da capacidade de assegurar condições de segurança e financiamento, bem como de ampliar a incorporação de empresas e trabalhadores nacionais nas actividades do projecto.

O enquadramento internacional acrescenta uma dimensão competitiva ao processo: as novas instalações terão de operar num mercado com maior capacidade de oferta e compradores cada vez mais atentos aos custos, à segurança de abastecimento e à flexibilidade contratual.

A evolução do Rovuma LNG e do Papua LNG permitirá observar como a ExxonMobil posiciona os seus investimentos perante estas transformações.

O último trimestre de 2026 poderá, assim, marcar uma nova fase de decisões empresariais para o mercado mundial de gás natural liquefeito. Em Moçambique, a importância do momento reside na possibilidade de converter os progressos contratuais e técnicos do Rovuma LNG numa decisão de investimento capaz de iniciar um novo ciclo de construção, contratação empresarial e desenvolvimento de capacidade produtiva.