O antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, juntou-se a dirigentes do movimento rebelde M23 para criar uma nova plataforma político-militar denominada Frente para a Refundação da Nação (FRN), que pretende contestar o poder do Presidente Félix Tshisekedi.
A aliança, anunciada em Goma, no leste do país, reúne membros da Aliança do Rio Congo (AFC), estrutura política associada ao M23, incluindo o seu líder, Corneille Nangaa, o dirigente rebelde Bertrand Bisimwa e o comandante militar Sultani Makenga.
De acordo com a agência Reuters, os integrantes da nova frente consideram que o actual Governo congolês exerce um poder autoritário e admitem recorrer à força na tentativa de alcançar os seus objectivos políticos.
A aproximação entre Kabila e os dirigentes rebeldes acontece num momento delicado para o antigo Chefe de Estado, condenado à morte à revelia em 2025 por um tribunal militar congolês, na sequência de acusações relacionadas com a segurança nacional e o conflito armado. Kabila contesta as acusações que lhe são imputadas.
A entrada do antigo Presidente nesta aliança poderá dar uma nova dimensão política ao movimento rebelde, que mantém influência em partes do leste da RDC. A participação de uma figura que governou o país entre 2001 e 2019 poderá igualmente alterar o equilíbrio entre as forças que disputam o poder em Kinshasa.
O surgimento da FRN representa mais um desafio aos esforços de mediação internacional destinados a travar os confrontos no leste congolês. A possibilidade de uma maior coordenação entre actores políticos e militares contrários a Tshisekedi levanta preocupações sobre o futuro das negociações e a estabilidade da região.
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