O porta-voz do grupo, João Machava, afirmou que existe uma exclusão sistemática de vozes críticas nos órgãos de decisão do partido que os contestatários não receberam convites para a reunião magna.
“Temos o direito pleno de participar na reunião na qualidade de membros e exigimos espaço para apresentar propostas de mudança interna”, declarou Machava, sublinhando que o grupo não pretende boicotar o encontro, mas sim participar activamente nas deliberações.
António Muchanga, membro da Comissão de Gestão ligado ao grupo contestatário, foi mais longe e alertou que, caso a exclusão se mantenha, a questão será remetida às instâncias judiciais.
“Se continuarmos excluídos do encontro, a matéria será remetida aos tribunais, isso poderá expor assuntos internos graves”, advertiu Muchanga.
O dirigente aconselhou publicamente Ossufo Momade a anunciar a sua renúncia durante o Conselho Nacional, alegando que o actual presidente do partido não reúne condições morais nem físicas para continuar no cargo.
O Conselho Nacional foi convocado pela direcção liderada por Ossufo Momade, que já descartou afastar-se do cargo durante esta reunião. No entanto, o líder da RENAMO garantiu que não se recandidatará no próximo congresso do partido.
A posição de Momade não parece ter acalmado os ânimos dos contestatários, que insistem na necessidade de uma renovação profunda na liderança e na abertura dos órgãos de decisão a todas as sensibilidades internas.
A RENAMO atravessa um período de turbulência interna marcado por divisões entre a liderança actual e grupos de desmobilizados e membros críticos. O Conselho Nacional de Outubro surge, assim, como um momento decisivo para o futuro do partido, com os contestatários a exigirem participação plena e a ameaçarem levar a disputa para os tribunais caso sejam marginalizados. (Paulo Manjate)



