A afirmação, acompanhada de um questionamento direto “Não confio no senhor!”, marcou o tom crítico do debate sobre pluralismo político, confiança nas instituições e participação cidadã, realizado na cidade de Maputo.

Durante o encontro, organizado pela Plataforma DECIDE, em parceria com a Fundação Friedrich Ebert-Stiftung (FES), o jornalista e ativista Nádio Taimo questionou a revisão de Albino Forquilha e do seu partido, levantando dúvidas sobre a coerência entre o discurso político público e documentos e orientações internacionais que, na sua interpretação, poderão indicar uma crise institucional.

As declarações, proferidas num tom de confronto verbal, trouxeram para o centro do debate questões relacionadas com a legitimidade política e a representação da oposição no contexto atual moçambicano.

Na ocasião, foram igualmente levantadas questões relacionadas com um documento partidário associado à realização de um congresso, cujas orientações, segundo as críticas apresentadas, poderão contradizer o discurso oficial de estabilidade.

A discussão estende-se à gestão das finanças públicas, com críticas à proposta de rectificação orçamental para 2026. O jornalista e activista Nádio Taimo questionou os ajustamentos previstos, referindo uma variação de 3,5 pontos e um montante de mil milhões de meticais. O orador questionou igualmente a capacidade de resposta do Governo perante as dificuldades económicas e sociais que o país enfrenta.

Na abertura do encontro, o diretor executivo da Plataforma DECIDE, Wilker Dias, defendeu a necessidade de consolidar a democracia para além dos períodos eleitorais, sublinhando a importância da participação cidadã entre ciclos de votação.

A iniciativa teve como objectivo promover a reflexão sobre os desafios do pluralismo político, o envolvimento da juventude na vida pública e a confiança dos cidadãos nas instituições moçambicanas.

O debate evidenciou a importância da discussão pública sobre a substituição dos atores políticos, a estabilidade institucional e a governança na governança, num contexto em que a participação cidadã continua a ocupar um lugar central na agenda democrática nacional. ( Nando Mabica)