
Nampula (IKWELI) – O representante da FoodLead (Formação de Líderes em Segurança Alimentar), Crescêncio Giscard, defendeu, nesta quarta-feira (4), na cidade de Nampula, o reforço do programa de alimentação escolar, como forma de combater a insegurança alimentar entre os alunos e melhorar o seu aproveitamento pedagógico.
A posição foi manifestada na Universidade Lúrio (UniLúrio), durante a apresentação dos resultados de um estudo sobre a qualidade da dieta fornecida no âmbito do programa de alimentação escolar.
Segundo Giscard, a iniciativa tem contribuído para reduzir o abandono escolar e aumentar o número de alunos nas escolas abrangidas, em comparação com aquelas que ainda não beneficiam do programa.
“Nas escolas onde o lanche é fornecido, o número de alunos aumenta, porque alguns transferem-se para esses estabelecimentos de ensino, sabendo que terão acesso à alimentação”, explicou.
O representante da FoodLead defendeu igualmente a integração de hortas escolares no programa, sublinhando que estas não devem servir apenas para produzir alimentos destinados ao lanche, mas também para desenvolver competências agrícolas nos alunos.
“O lanche escolar deve ser acompanhado pelo desenvolvimento de hortas escolares, que visam não necessariamente produzir alimentos para satisfazer as necessidades do programa, mas também criar habilidades agropecuárias nos alunos, ou seja, competências para a vida”, afirmou.
Giscard acrescentou que a alimentação escolar contribui para melhorar os resultados do aproveitamento pedagógico e minimizar os efeitos da insegurança alimentar, uma vez que permite às crianças permanecerem menos tempo em jejum. Por sua vez, Almeida Muchanga, em representação do curso de Mestrado em Nutrição e Segurança Alimentar da Faculdade de Ciências da Saúde da UniLúrio, explicou que o estudo foi realizado em duas escolas básicas: Iapala, no distrito de Ribáuè, e Naquemba, no distrito de Mossuril, com o objectivo de avaliar diferentes contextos geográficos.
De acordo com Muchanga, a investigação procurou avaliar a qualidade nutricional e energética das refeições fornecidas pelo programa, bem como verificar a eventual contaminação química dos produtos adquiridos a produtores locais. Os resultados indicam que a alimentação escolar contribui com aproximadamente 25% das necessidades de ingestão nutricional e energética das crianças. O estudo constatou ainda que os alunos abrangidos pelo programa apresentam melhores indicadores nutricionais, nomeadamente em relação à vitamina A, ferro, zinco e energia, quando comparados com os que não beneficiam da iniciativa.
projecto FoodLead resulta de uma colaboração triangular entre a Faculdade de Ciências da Saúde da UniLúrio, a Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade de Nairobi, no Quénia, e a Faculdade de Ciências Agrárias e Florestais da Universidade de Helsínquia, na Finlândia. (Francisco Mário)




