
Nampula (IKWELI) — O vice-reitor da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Nelson Amade, defende que as universidades devem colocar o conhecimento científico ao serviço das comunidades, contribuindo para a resolução dos problemas sociais e para a transformação da sociedade.
A posição foi apresentada na quarta-feira (21), na cidade de Nampula, durante a XVI edição das Jornadas Científicas da UCM, subordinadas ao tema “Como as universidades moçambicanas participam no desenvolvimento das comunidades”.
Falando em representação do reitor da instituição, Amade afirmou que as universidades não devem limitar-se à transmissão de conhecimentos, devendo assumir também um papel activo na produção científica, na inovação e na promoção de mudanças sociais.
“A relevância de uma universidade não se mede apenas pela qualidade do ensino que oferece ou pelas investigações que realiza, mas pela capacidade de transformar o conhecimento em soluções concretas para os desafios que afectam as nossas comunidades”, afirmou o vice-reitor.
Num contexto marcado por desafios económicos, sociais, ambientais e tecnológicos, Amade considerou fundamental reforçar a ligação entre as instituições de ensino superior e as comunidades, através de iniciativas que produzam mudanças positivas na vida das populações.
O responsável destacou que a missão da UCM vai além da formação de profissionais qualificados, abrangendo também a promoção de valores éticos e morais, a defesa da dignidade humana e a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
“Estamos comprometidos com a formação integrada da pessoa humana, com valores éticos e morais, na promoção da dignidade humana e na construção de uma sociedade mais justa e solidária”, afirmou.
Nesse sentido, desafiou a comunidade académica a desenvolver investigação comprometida com os problemas locais, uma educação orientada para a transformação social e actividades de extensão universitária capazes de responder às necessidades e aspirações das comunidades.
UNIVERSIDADES DESAFIADAS A RESPONDER AOS PROBLEMAS SOCIAIS




Por sua vez, Cássia Ayres, chefe da Secção de Mudança Social e Comportamental da UNICEF em Moçambique, chamou a atenção para os problemas que afectam as comunidades, incluindo as uniões prematuras e o atraso de crescimento das crianças, com consequências para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil.
Na sua perspectiva, as universidades devem aproximar-se das populações e contribuir para a compreensão e a resolução destes problemas, colocando a investigação e o conhecimento académico ao serviço da sociedade.
Já o director da Faculdade de Educação e Comunicação da UCM, Lino Samuel, explicou que as jornadas científicas pretendem promover a partilha de ideias sobre o contributo das universidades para o desenvolvimento comunitário, incentivando igualmente os estudantes a integrar a dimensão comunitária na sua formação.
ESTUDANTES QUEREM APLICAR CONHECIMENTOS NAS COMUNIDADES
Os estudantes participantes também defenderam a importância de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos na universidade, reconhecendo que fazem parte das próprias comunidades cujos problemas são objecto de estudo.
Para Frederica Sinésio, as jornadas constituíram uma oportunidade para os estudantes reflectirem sobre as suas preocupações e compreenderem melhor a responsabilidade social da formação académica.
“Essas jornadas científicas significam muito para nós, estudantes, para colocarmos aquilo que são as nossas preocupações, porque, para além de sermos estudantes, somos a própria comunidade. O tema em questão ajudou-nos a sair da zona de conforto e a perceber que os estudos que estamos a ter são para praticar com a nossa comunidade”, afirmou.
Na mesma linha, Elma Mucaiua considerou que a apresentação de diferentes pesquisas permitiu aos estudantes conhecer abordagens que poderão ser aplicadas na resolução dos problemas das comunidades. “Como estudantes, somos uma parte da sociedade e devemos desenvolvê-la, mostrando novas formas de viver e de resolver problemas”, afirmou.
Monalisa Diamantino destacou, por sua vez, a importância das experiências partilhadas durante o encontro para despertar nos estudantes uma maior consciência sobre o seu papel no desenvolvimento do país. “Durante as jornadas, pudemos perceber a forma de agir na comunidade. Ouvimos histórias que nos comoveram, para que nós, estudantes, possamos contribuir para o futuro desta nação”, declarou.
As jornadas científicas reforçaram, assim, o debate sobre a responsabilidade social das universidades moçambicanas e a necessidade de aproximar a investigação académica dos desafios concretos enfrentados pelas comunidades. (Francisco Mário, foto: Higino Carlos)




