Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) vai lançar, na próxima segunda-feira (19), uma campanha de avaliação da pele de pessoas com albinismo, com o objetivo de facilitar o acesso a cuidados médicos preventivos e ao rastreio do cancro da pele, tendo em conta a vulnerabilidade desta população à radiação solar devido à deficiência de melanina.

Segundo Márcia Bacar, delegada provincial da Associação Amor à Vida, uma organização que se dedica activamente ao apoio, proteção e sensibilização sobre os direitos das pessoas com albinismo em Nampula, a campanha visa reforçar a prevenção e o tratamento de problemas de pele nesta população.

“Na próxima semana, prevê-se o lançamento de uma campanha de observação médica e de realização de cirurgias para pessoas com albinismo que apresentem lesões pré-cancerosas. A iniciativa permitirá identificar os casos que necessitam de intervenção médica e garantir o acesso a protetores solares e a outros tratamentos necessários”, explicou.

Em termos numéricos, de acordo com a fonte, pelo menos 221 pessoas com albinismo foram identificadas com problemas de pele em 14 distritos da província de Nampula, no norte do país.

“A ideia é abranger toda a província de Nampula, para que as pessoas com albinismo tenham acesso ao tratamento. A campanha terá a duração de uma semana e pretendemos atender 50 pacientes por dia, entre adultos e crianças”, afirmou Márcia Bacar.

Aquela responsável reconheceu que o estigma e a discriminação contra as pessoas com albinismo continuam a ser uma realidade persistente, alimentada por mitos, superstições e falta de informação.

“O preconceito e a discriminação continuam a ser um desafio. Mesmo assim, continuamos a realizar palestras nas comunidades. Neste momento, 70% das pessoas têm conhecimento sobre o albinismo”, declarou.

Márcia Bacar acrescentou que persistem crenças, segundo as quais partes do corpo de pessoas com albinismo possuem poderes mágicos ou podem trazer boa sorte e riqueza.

“Esses pensamentos fazem parte de crenças e mitos que contribuem para a discriminação contra as pessoas com albinismo”, concluiu. (Nelsa Momade)