O número de utentes atendidos nas unidades sanitárias do país por alterações de comportamento associadas ao consumo de drogas e outras substâncias psicoactivas registou um aumento de 23%, alertou o Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, durante a sua intervenção na Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga em Moçambique.

De acordo com o governante, o panorama epidemiológico associado ao abuso de substâncias revela uma tendência de crescimento alarmante no país.

“Atendemos, em 2024, 23.400 pessoas com alterações de comportamento devido a consumo de drogas. Em 2025, 28.800. Veja só o crescimento em termos de números. Relacionado também ao consumo de drogas, aumentou a mortalidade de 5% em 2007 para 30% em 2025”, detalhou o titular da pasta da Saúde.

Ussene Isse acrescentou que a taxa de suicídio associada a estes quadros atinge actualmente os 10%, uma métrica que anteriormente não registava expressão percentual expressiva.

Para além das alterações comportamentais e do impacto directo na mortalidade, o Ministro da Saúde chamou a atenção para as doenças infecciosas associadas decorrentes do consumo de drogas injectáveis, nomeadamente a transmissão do HIV/SIDA e das hepatites virais através da partilha de seringas.

Embora Moçambique disponha de infra-estruturas especializadas e serviços de saúde mental em quase todo o território nacional, o ministro sublinhou a urgência de reforçar a resposta institucional perante o que classificou como um “novo problema emergente de saúde pública”.

Segundo ele, a gravidade do cenário é particularmente crítica entre a camada mais jovem da população, que representa a força produtiva do país.

“Não nos esqueçamos, 36% da população moçambicana são adolescentes e jovens. Este grupo etário está a ser afectado por drogas, consumo de álcool, trauma e por aí em diante. Temos para salvar esta geração”, advertiu o ministro.