Já teve um protagonismo sem igual. Foi, em tempos, palco de alguns dos maiores símbolos da capacidade industrial de Moçambique. A Avenida das Indústrias, no município da Matola, província de Maputo, foi, durante décadas, um dos principais corredores industriais do país. Concentrava unidades fabris que asseguravam milhares de postos de trabalho e abasteciam o mercado com produtos de fabrico nacional.
Companhia Vidreira de Moçambique, Caju de Moçambique, Zuid, Fibriclass, Pintex, Mobilarte, Metal Box, Facol, Metal África, Comec e Pro-Caju são apenas alguns dos nomes que marcaram o sector da indústria naquele corredor. Décadas depois, muitos destes nomes sobrevivem apenas na memória colectiva e como referências geográficas, associadas, por exemplo, às paragens de transportes de passageiros.
Aliás, o cenário actual contrasta com a dinâmica de tempos idos. Onde outrora fervilhava a actividade industrial, restam edifícios degradados, em ruínas e entregues ao abandono, enquanto outras instalações foram reaproveitadas para novas actividades, com destaque para o comércio, cuja capacidade de absorção de mão-de-obra está longe de corresponder àquela que as antigas fábricas asseguravam.
A Companhia Vidreira de Moçambique, ou simplesmente Vidreira, fundada em 1958 e apontada como a única unidade do género no país, é um dos empreendimentos que ainda conserva traços arquitectónicos do período colonial. A sua imponência, porém, contrasta com o silêncio que envolve o local desde 1999, ano em que encerrou as actividades, deixando na incerteza 523 trabalhadores.
Ainda assim, quem por lá passou ainda alimenta o sonho de ver o chamado “monstro adormecido” voltar a operar. A esperança, porém, já não está ligada ao regresso dos antigos trabalhadores, muitos dos quais já vencidos pelo tempo. O desejo é que uma eventual retoma possa abrir oportunidades para as novas gerações, sobretudo para os jovens que enfrentam dificuldades no acesso ao emprego. Leia mais…



