O Professor fez uma incursão pela Império de Gaza, a mesma energia, a mesma exuberância, o mesmo tom jocoso daquelas outras “lives”, e a mesma convicção irritante de que não precisa do contraditório para armadilhar as suas constatações, apressadas e esbaforidas, de “boladas” e de falta de compromisso de quem governa, bem entendido. Haja paciência!

Desta feita, Adriano Nuvunga escalou Inhamissa, arrabaldes de Xai-Xai, afobado como sempre, à procura de assunto para ajuntar a outro. Inhamissa é onde funcionou a Escola de Artes e Ofícios, está em reabilitação, iniciativa da Associação Alemanha Moçambique, a DMG, sediada em Munique, cerca de 200 moçambicanos interessados em ajudar, não com “lives” do tipo “Nuvunga nuclear weapons”, mas com acções.

Bula-Bula, que é um apaixonado pela História de Moçambique, acha que o Professor se parece com Maguiguana Cossa, o chefe supremo dos exércitos do rei Gungunhana, que deu muito trabalho a Mouzinho de Albuquerque, apenas sendo derrotado na famosa batalha de Macontene, nem lhe valendo a táctica dos escudos e dos chapéus nas pontas das lanças, perante a superioridade do inimigo, canhões e cavalaria para cima de Maguiguana Cossa, que não teve como, senão fugir. Foi perseguido e morto em Mapulanguene.

Mas a táctica de Maguiguana resultou enquanto durou e Bula-Bula explica como funcionava: os guerreiros penduravam os seus escudos ou chapéus nas pontas das lanças, os portugueses disparavam sobre eles, despendiam munições, entretinham-se com “os bonecos”, mas havia outros dois grupos de guerreiros que flanqueavam os soldados portugueses, rastejando pela vegetação, e os atacavam em verdadeiras lutas corpo-a-corpo. Mouzinho de Albuquerque perdeu muitos homens, muitas batalhas, até descobrir a manha, na verdade uma verdadeira estratégia militar, manobra ousada para o tempo, protagonizada por Maguiguana Cossa. Sempre que Bula-Bula vai a Magude passa por Mapulanguene e rende homenagem ao seu herói, não a este que se parece com ele, pela táctica de agitar bonecos e obrigar-nos a gastar munições, a entreter-nos com o seu “reality show”, agitado e precipitado.

A antiga Escola de Artes e Ofícios de Inhamissa está a ser reabilitada, não passou para as mãos de privados, não foi vendida, como diz Adriano Nuvunga. O parceiro, os tais 200 moçambicanos reunidos em Associação, na longínqua Munique, pretendem fazer em Inhamissa o que já fizeram com a Escola Primária Unidade 11, na cidade de Xai-Xai, que foi requalificada.

Bula-Bula acha que esta táctica de “agitar bonecos” já não funciona e acha que o Professor devia ter aceitado falar com o Secretário de Estado da Província de Gaza, Jaime Neto, passava sem constrangimentos e ficava melhor na fotografia. Porque esta coisa de sermos Maguiguana Cossa tem o seu tempo.