A Rússia está a identificar oportunidades de expansão comercial em África, com particular interesse nos sectores dos videojogos, produção cinematográfica, artes visuais e turismo. O potencial do mercado africano foi um dos principais temas de debate no fórum internacional Russian Creative Week — Eurasia, realizado em Ufa, na Rússia, que reuniu representantes de 13 países.
Segudo, Louis Gowden, empresário e fundador do projecto Hello Africa, citando pela Tv Brics, a dimensão da população jovem africana e o desenvolvimento gradual do acesso à tecnologia poderão impulsionar a procura de videojogos e abrir oportunidades para empresas russas. “As pessoas em África não são ricas. Nem todos têm computador e muitos nem sequer têm acesso à electricidade. No entanto, o continente está a desenvolver-se, o que significa que a procura de videojogos vai aumentar. Temos uma grande população jovem. Por isso, os videojogos são um sector altamente promissor e um mercado enorme, que poderá ajudar a aumentar o comércio entre a Rússia e os países africanos”, afirmou.
A indústria cinematográfica africana também foi identificada como uma oportunidade de cooperação empresarial, sobretudo na produção, distribuição e exibição de filmes. Gowden destacou a dimensão de Nollywood, na Nigéria, que produz mais de 2500 filmes por ano, e defendeu o intercâmbio de conteúdos audiovisuais entre os dois mercados. “Existem oportunidades significativas de cooperação na produção cinematográfica e na distribuição recíproca. E estas oportunidades existem nos dois sentidos”, afirmou, referindo a exibição do filme russo Sky em Nairobi, no Quénia, onde recebeu críticas positivas.
O interesse na produção audiovisual conjunta estende-se a outros países africanos. Leila Zotova, vice-directora da Agência Federal para os Assuntos da Juventude da Rússia (Rosmolodezh), apontou a Tanzânia como um dos países interessados na produção conjunta de filmes, séries televisivas e animação. Olga Akatyeva, realizadora do filme My Africa, defendeu acordos de co-produção entre governos africanos e a Rússia para facilitar projectos internacionais e atrair financiamento.
Nas artes visuais, o projecto Art Africa foi apresentado como exemplo de intercâmbio entre os dois mercados, reunindo obras de mais de 30 artistas contemporâneos de 18 países africanos, além de trabalhos de artistas modernistas da Guiné, República Democrática do Congo e Tanzânia. Segundo Gowden, algumas das obras expostas já foram adquiridas por coleccionadores russos.
O turismo constitui outra frente de cooperação entre África, a Rússia e o Médio Oriente. Ibrahim Mello, especialista em Irão e Médio Oriente e membro do Conselho Empresarial do Consórcio BRICS+, destacou o interesse crescente de turistas iranianos em destinos russos e propôs o reforço da divulgação das atracções turísticas do país. O especialista defendeu igualmente a criação de uma aliança das indústrias criativas dos países do BRICS para facilitar parcerias e projectos internacionais.
A proposta foi apoiada por Nathan Brown, director de Estratégia para África e Médio Oriente da Saturn Five Consulting e conselheiro do presidente da Aliança Internacional BRICS, que defendeu a criação de uma plataforma para aproximar profissionais e empresas dos países membros. “Para proporcionar oportunidades de desenvolvimento aos profissionais dos países do BRICS, precisamos de criar uma plataforma onde possam estabelecer contactos e aprender uns com os outros. Acredito que essa aliança ou fundo deve ser criado aqui na Rússia, porque vejo um forte compromisso do Governo russo com o desenvolvimento deste sector”, afirmou.
O fórum Russian Creative Week — Eurasia decorreu de 2 a 4 de Novembro de 2026, em Ufa, e contou com mais de 30 sessões empresariais e representantes de 13 países, incluindo países africanos, Turquia, Emirados Árabes Unidos, China e Irão. O encontro procurou identificar oportunidades de investimento, promover projectos conjuntos e reforçar a cooperação internacional nas indústrias criativas.





