O presidente do ANC, Cyril Ramaphosa, terá colocado a possibilidade de renunciar à presidência do partido após o fraco desempenho nas eleições autárquicas de 4 de Novembro.

Segundo o Sunday Times, pelo menos cinco membros seniores do Comité Executivo Nacional (CEN) do ANC afirmaram que Ramaphosa sugeriu demitir-se, argumentando que as duas derrotas eleitorais consecutivas sob a sua liderança exigiam consequências.

Fontes disseram ao jornal que estaria preparado para demitir-se sozinho caso os sete principais dirigentes do ANC não apoiassem a sua proposta de que toda a liderança abandonasse os seus cargos.

Um membro do CEN terá avisado que a sua saída da presidência do ANC poderia significar o fim do governo de unidade nacional (GUN), argumentando que não poderia abandonar a liderança do partido enquanto se mantivesse chefe do governo nacional.

O apoio nacional ao ANC caiu para aproximadamente 31% nas últimas eleições, em comparação com 46% em 2021. O partido também caiu para 40% nas eleições nacionais e provinciais de 2024.

Membros importantes do ANC terão instado Ramaphosa a reconsiderar e a dar tempo para reflexão, enquanto o Secretário-Geral, Fikile Mbalula, enfatizou a responsabilidade colectiva pela derrota eleitoral.

 O Comité Executivo Nacional (CEN) do ANC está reunido para avaliar os resultados, enquanto o partido enfrenta negociações para a formação de uma coligação em vários municípios onde perdeu a maioria absoluta.

Os eleitores humilharam o ANC

O Secretário-Geral do Partido, Fikile Mbalula, reconheceu que os eleitores humilharam o ANC após os resultados preliminares mostrarem que conseguiu apenas 31% dos votos, com a maioria dos votos contados.

A Comissão Independente de Eleições deve anunciar os resultados finais hoje domingo (08). O resultado marca um grande revés para o partido, levantando questões sobre o seu futuro político e o apoio entre os eleitores da África do Sul.

 

O secretário-geral classifica o resultado como ‘catastrófico’, após as eleições municipais da semana passada,enfraquecendo a sua posição nas negociações de coligação que se seguirão para formar os governos municipais.

 Os resultados representam um revés doloroso para o ANC, que viu a sua percentagem de votos cair constantemente nas eleições locais nos últimos 15 anos, em grande parte devido a falhas em serviços básicos como água e electricidade. Como nenhum partido obteve mais de 50% dos votos em muitas cidades, incluindo Joanesburgo, o centro comercial da África do Sul, o ANC e a DA terão de se unir ou negociar com partidos menores para formar governos municipais maioritários.

 

Fikile Mbalula afirmou que ele não vai implorar por cargos quando as negociações para a formação de coligações começarem em breve. “Quando as pessoas nos dizem que falhamos, a resposta honesta não é discutir com elas, mas sim voltar para casa e colocar a nossa casa em ordem”, disse Mbalula no sábado (07).

Os partidos terão 14 dias para negociar antes da formação dos conselhos municipais.

Em Johanesburgo, a Aliança Democrática (DA), pró-empresarial, liderou a contagem com cerca de 35% dos votos, em comparação com os 20% do Congresso Nacional Africano (ANC).

Isso poderia dar à veterana da Aliança Democrática (DA), Helen Zille, que fez campanha prometendo resolver o problema dos buracos nas ruas e vazamentos de água, uma boa chance de se tornar prefeita (presidente do Município), dependendo dos acordos de coligação que forem alcançados.

Em comunicado, a Aliança Democrática (DA) afirmou que iniciará discussões sobre uma coligação com “partidos políticos que compartilham o compromisso com um governo limpo e responsável, erradicando a corrupção, oferecendo serviços para todos, respeitando o Estado de Direito e combatendo o racismo”.

Oposição com vitória retumbante 

Nas eleições municipais do passado dia 4, a Aliança Democrática (DA) obteve um forte desempenho e lidera a votação em várias das principais cidades e municípios metropolitanos do país:

• Cidade do Cabo (Cape Town): A DA manteve o controlo absoluto e seguro da cidade, superando os 56% a 62% dos votos.

• Johanesburgo (Johannesburg): A DA emergiu como o partido mais votado (com cerca de 35% a 42% dos votos), embora sem maioria absoluta, exigindo acordos de coligação.

• Pretória (Tshwane): O partido obteve um forte desempenho e manteve-se na disputa directa pela liderança da capital administrativa.

• Ekurhuleni: A DA registou uma forte votação (cerca de 40%) nos grandes centros industriais desta região de Gauteng.

• (Port Elizabeth): A DA travou uma disputa muito apertada pelo primeiro lugar (cerca de 37% a 44% dos votos) contra o ANC.

À excepção da Cidade do Cabo, onde garantiu maioria, a DA necessita de negociar coligações para governar na maioria destas grandes metrópoles devido ao cenário de assembleias sem maioria absoluta — os chamados “hung councils“.