Os preços do petróleo negoceiam em sentidos opostos nesta sexta-feira (6), com o Brent a valorizar e o West Texas Intermediate (WTI) a recuar, depois da recuperação registada na sessão anterior, na sequência das fortes quedas provocadas pela vitória expressiva dos democratas nas eleições intercalares dos Estados Unidos da América (EUA). Os investidores continuam a avaliar as perspectivas de um eventual fim da guerra no Médio Oriente.
O Brent, referência para o mercado europeu, sobe 1,01%, para 99,28 dólares por barril, enquanto o WTI, referência norte-americana, recua 0,81%, para 91,30 dólares.
O Brent negoceia, assim, próximo dos 100 dólares por barril, depois de ter encerrado a sessão anterior com uma valorização de quase 4%, num período de elevada volatilidade em que as cotações oscilaram num intervalo de 19 dólares desde segunda-feira (2). Apesar da recuperação, os contratos de futuros com vencimento mais próximo acumulam perdas de cerca de 15% esta semana, encaminhando-se para a maior desvalorização semanal desde Abril de 2020.
As expectativas de uma resolução mais rápida da guerra têm aumentado, embora persistam divergências significativas entre as partes. O Irão exige o levantamento do bloqueio naval norte-americano, o alívio das sanções e a libertação de activos congelados antes de reabrir totalmente o estreito de Ormuz.
Entretanto, o New York Times noticiou que Teerão está a analisar propostas apresentadas pelos mediadores relativamente ao seu programa nuclear, num sinal de que os esforços diplomáticos do Qatar para evitar uma nova escalada militar poderão estar a ganhar força.
Os preços do Brent tinham atingido máximos de seis meses em Outubro, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado retomar os ataques contra o Irão após as eleições intercalares. Desde então, os sinais de contenção da Administração norte-americana e a vitória dos democratas, que conquistaram o controlo das duas câmaras do Congresso, alimentaram expectativas de uma possível mudança de estratégia em Washington.
O novo equilíbrio político poderá limitar a margem de manobra da Administração para financiar novas operações militares, embora não elimine a possibilidade de uma escalada do conflito.
“O que importa é saber se a Casa Branca vai alterar a sua estratégia em relação ao Irão”, afirmou à Bloomberg Pavel Molchanov, analista da Raymond James & Associates.
Segundo o especialista, um acordo diplomático duradouro que permita reabrir o estreito de Ormuz poderá exercer maior pressão descendente sobre os preços do petróleo. Contudo, perante a incerteza quanto à evolução das negociações, advertiu que “devemos manter o cepticismo”.
Donald Trump reuniu-se na quinta-feira com os seus principais conselheiros de segurança nacional para discutir a situação no Irão, à margem da reunião semanal de informações dos serviços secretos, noticiou a Axios, citando dois responsáveis norte-americanos não identificados.
De acordo com a publicação, o Presidente está a ponderar três opções: lançar novos ataques militares, manter a pressão económica sobre Teerão ou negociar um acordo que implique concessões significativas à parte iraniana.





