O sector agro-pecuário representa actualmente cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, quase o dobro do peso registado há dez anos, segundo dados apresentados pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano. O governante considera que o reforço da produção nacional está a contribuir para a transformação da economia e a redução da sua vulnerabilidade externa.
De acordo com a Lusa, os dados foram apresentados esta quinta-feira, 5 de Novembro, durante o encerramento da Conferência Internacional sobre Desinflação Sustentável e Credibilidade da Política Monetária, realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos do Banco Nacional de Angola (BNA). Na ocasião, o ministro destacou as mudanças na estrutura económica do País, apesar da persistente dependência das exportações petrolíferas.
“Embora as exportações petrolíferas continuem a dominar a geração de recursos cambiais, o sector agro-pecuário tem demonstrado um crescimento assinalável. Em dez anos, o sector agro-pecuário quase duplicou o seu peso na estrutura do PIB angolano, situando-se, actualmente, em cerca de 23%”, declarou.
José de Lima Massano destacou igualmente o desempenho da indústria transformadora, na qual o segmento alimentar, excluindo a refinação de petróleo, representa 58%. Segundo dados de Setembro do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola, o Índice de Produção Industrial registou um crescimento homólogo de 66%.
Estes indicadores assumem particular importância para a evolução da inflação, uma vez que os bens alimentares e as bebidas não alcoólicas representam cerca de 56% da estrutura do Índice de Preços no Consumidor (IPC) angolano.
“Isto significa que a transformação estrutural em curso na nossa economia sustenta o caminho para a consolidação da desinflação”, afirmou o ministro, defendendo a continuidade dos incentivos públicos destinados a atrair investimento para a agricultura, a indústria transformadora e as infra-estruturas logísticas, bem como a valorização da produção nacional.
Credibilidade da política monetária é apontada como prioridade
O governante recordou que, ao longo dos primeiros 50 anos de independência, Angola enfrentou sucessivos períodos de inflação elevada, incluindo episódios de hiperinflação. Segundo explicou, as reformas legislativas e os ajustamentos dos instrumentos de política monetária contribuíram para melhorar as condições de controlo da inflação e reforçar a estabilidade monetária.
“Vivemos actualmente um período de estabilidade de preços na nossa economia, sendo fundamental que os progressos alcançados sejam duradouros e permaneçam salvaguardados face ao ressurgimento de pressões inflacionistas”, observou.
Para José de Lima Massano, a credibilidade da política monetária depende da clareza dos objectivos, da coerência das decisões, da transparência da comunicação e da consistência dos resultados ao longo do tempo.
A conferência, integrada nas comemorações do cinquentenário do BNA, promoveu a reflexão e a partilha de experiências sobre a condução da política económica, a sustentabilidade da redução da inflação e o reforço da credibilidade das autoridades monetárias.





