A Ucrânia mostrou-se disponível para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, cabendo ao Governo moçambicano identificar as necessidades e definir o tipo de assistência pretendida. A posição foi anunciada esta quarta-feira, 4 de Novembro, pelo embaixador ucraniano em Moçambique, Rostyslav Tronenko, durante uma visita à província.
“Da nossa parte, da parte dos parceiros europeus, há toda a disponibilidade de providenciar a nossa experiência, o nosso apoio e tudo de melhor que a Ucrânia tem para combater o terrorismo”, declarou Rostyslav Tronenko, citado pela Lusa.
O diplomata esclareceu, contudo, que a definição da assistência a prestar compete às autoridades moçambicanas. “Nós não nos podemos intrometer nos assuntos internos. Cabe ao Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e ao Governo decidir que tipo de ajuda eles querem de nós”, afirmou, reiterando a disponibilidade do seu país para colaborar no combate à insurgência.
A posição surge num contexto de persistência da violência em Cabo Delgado, província rica em gás natural que enfrenta uma insurgência armada desde 2017. Ao longo de nove anos, o conflito provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,3 milhões de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.
No mesmo dia, o Governo moçambicano confirmou uma nova vaga de ataques, raptos e homicídios atribuídos a grupos extremistas em aldeias do distrito de Muidumbe, num cenário de insegurança que continua a obrigar famílias a abandonar as suas comunidades.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 1235 pessoas deslocaram-se entre 14 e 27 de Outubro, devido a ataques ou ao receio de novas incursões de grupos armados.
O relatório do Mecanismo de Monitorização de Deslocações de Emergência da OIM indica que os movimentos populacionais envolveram 316 agregados familiares provenientes dos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco, evidenciando a persistência da insegurança na região.
A intensificação da violência é também assinalada no relatório das Nações Unidas “Moçambique: O custo da inacção”, divulgado em Setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Segundo o documento, foram registados mais de 400 incidentes associados ao conflito nos primeiros seis meses de 2026, um aumento de 10% face ao mesmo período de 2025, reflectindo a continuidade da ameaça armada e dos seus impactos sobre as populações.
Fonte: Lusa





