As empresas moçambicanas precisam de melhorar a sua organização interna, reforçar a capacidade técnica e investir na qualificação dos trabalhadores para responder às exigências de um mercado em expansão e aproveitar as oportunidades geradas pela entrada de novos investidores. A necessidade foi destacada por empresários e especialistas durante o Synapse Strategy Summit 2026, realizado esta quinta-feira, 5 de Novembro.
O encontro reuniu representantes do sector empresarial e especialistas para debater os desafios da execução estratégica, da inovação e da competitividade, num contexto de transformação dos mercados e de novas oportunidades de investimento em Moçambique.
Na ocasião, Allan Tomás, CEO da Huruma Connect, defendeu que a transformação dos modelos de negócio é essencial para acompanhar as mudanças do mercado e identificar novas oportunidades. Na sua perspectiva, mesmo sectores tradicionais, como os do petróleo, gás e combustíveis, podem beneficiar da inovação e da adopção de novas tecnologias.
O responsável considerou que a modernização destas actividades pode transformar a relação dos consumidores com os produtos e serviços, contribuindo para melhorar as condições de vida das comunidades e gerar benefícios económicos.
Por sua vez, David Roberto, director-executivo da Synapse, alertou para as dificuldades enfrentadas pelas empresas nacionais no acesso às oportunidades de fornecimento de bens e serviços a grandes operadores estrangeiros. Segundo o responsável, apesar de algumas empresas moçambicanas disporem de capacidade técnica, persistem obstáculos ao estabelecimento de relações comerciais com esses operadores.
Entre os principais desafios, Roberto identificou o cumprimento das normas de conformidade (compliance), a organização interna e o alinhamento das equipas, factores que considera essenciais para reforçar a competitividade empresarial. Destacou igualmente a necessidade de investir na qualificação profissional, particularmente perante a expansão do sector do petróleo e gás.
“Há também a questão de encontrar a pessoa certa para o sector certo”, afirmou, defendendo uma maior aposta na preparação de profissionais capazes de responder às exigências das empresas e de aproveitar oportunidades de emprego dentro e fora do País.
Já Angelina Cumbe, especialista em mercadorias e gerente de acesso ao produto na VillageReach, destacou a importância da execução estratégica, considerando que as organizações devem desenvolver competências que lhes permitam transformar os planos em resultados concretos.
“Quando as coisas chegam ao papel, nós não estamos a vender um papel. Esse papel tem que se transformar em algo que, na verdade, transmita o resultado esperado”, afirmou a especialista, que trabalha com o Governo e o sector privado na definição de estratégias destinadas a garantir o acesso a produtos de saúde.
Angelina Cumbe considerou ainda que a expansão do mercado moçambicano, a entrada de novas empresas e a chegada de investimentos representam oportunidades para os operadores nacionais, mas exigem maior capacidade de organização e preparação. “É hora para as empresas locais de Moçambique estarem organizadas e prontas para este novo mercado global integrado”, defendeu.
O Synapse Strategy Summit 2026 é um encontro dedicado à gestão e à estratégia empresarial, que reúne dirigentes, gestores, especialistas, académicos e outros profissionais para debater os desafios do crescimento e da competitividade das organizações.
A iniciativa procura promover a reflexão sobre a capacidade das empresas para executar as suas estratégias, adaptar-se às transformações do mercado, identificar oportunidades de negócio e criar valor de forma sustentável.
Texto: Germano Ndlovo





