Dados do Banco de Moçambique (BdM) indicam que Moçambique gastou 660,6 milhões de dólares na importação de combustíveis durante o primeiro semestre de 2026. A factura aumentou 79,4% do primeiro para o segundo trimestre, num período marcado por dificuldades de abastecimento em várias regiões do País e por constrangimentos no acesso a divisas para financiar as importações.
Segundo as estatísticas do banco central, citadas pela Lusa, as importações de combustíveis totalizaram 236,4 milhões de dólares entre Janeiro e Março, tendo aumentado para 424,2 milhões de dólares entre Abril e Junho.
Em Abril e Maio, o País registou longas filas nos postos de abastecimento, encerramentos temporários de algumas bombas e dificuldades no fornecimento, com consequências para transportadores, empresas e consumidores. Na primeira metade do ano, Moçambique importou quase 1,2 mil milhões de dólares em bens intermédios, dos quais os combustíveis representaram cerca de 55%.
Perante a pressão sobre o mercado, o Governo decidiu, a 7 de Maio, aumentar os preços dos combustíveis. O litro de gasóleo ficou 45,5% mais caro, enquanto o da gasolina registou uma subida de 12,1%. A decisão foi justificada pelos efeitos do conflito no Médio Oriente sobre os mercados internacionais de energia.
Entre os produtos importados, o gasóleo representou a maior parcela da factura, com compras ao exterior avaliadas em 455,6 milhões de dólares no primeiro semestre. Seguiram-se a gasolina, com 166,7 milhões de dólares, e o combustível de aviação (jet fuel), com 38,4 milhões de dólares.
O aumento das importações no segundo trimestre resultou sobretudo do crescimento das compras de gasóleo e gasolina. No caso do gasóleo, os gastos passaram de 164,9 milhões de dólares no primeiro trimestre para 290,7 milhões no segundo, enquanto as importações de gasolina aumentaram de 56,4 milhões para 110,3 milhões de dólares.
Em Março, o Governo explicou que cerca de 80% dos combustíveis importados por Moçambique tinham origem no Médio Oriente e transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e seus derivados. A esta exposição externa juntam-se as dificuldades de algumas empresas do sector no acesso a divisas para financiar as importações, situação reconhecida pelo BdM.
Para responder aos constrangimentos no abastecimento, o Governo aprovou, a 3 de Agosto, um mecanismo de emergência que permite mobilizar até 50 milhões de dólares, através da petrolífera estatal Petromoc, para “assegurar a importação de combustíveis líquidos para o mercado interno, em caso de crise”, nos termos da resolução. A medida prevê o recurso a uma conta titulada pelo Ministério das Finanças e domiciliada no BdM, destinada a assegurar pagamentos a credores externos relacionados com estas operações.
A resolução estabelece ainda que, “excepcionalmente, e sempre que se justificar”, o ministro das Finanças, em coordenação com o ministro responsável pelo sector dos combustíveis, pode autorizar a utilização de até 40 milhões de dólares para garantir a importação de combustíveis líquidos destinados ao mercado interno.





