O empresário nigeriano Aliko Dangote lançou, na quarta-feira (4), um projecto de 2,5 mil milhões de dólares destinado à construção de infra-estruturas de armazenamento de combustíveis e de um oleoduto regional em Walvis Bay, na Namíbia. A iniciativa poderá transformar a rede de abastecimento energético da África Austral, reforçando a capacidade logística e reduzindo a dependência dos mercados externos.
O investimento integra a estratégia de expansão do grupo liderado pelo empresário, considerado o homem mais rico de África, que tem vindo a reforçar a sua presença no sector energético do continente. A iniciativa surge num contexto marcado pela elevada dependência africana das importações de combustíveis e pelas pressões sobre os mercados internacionais de energia, agravadas pela guerra no Irão.
Actualmente, Dangote opera na Nigéria a maior refinaria de África, com capacidade para processar 700 mil barris de petróleo por dia e em expansão. Paralelamente, o grupo prevê construir uma segunda refinaria no Quénia, igualmente com capacidade para processar 700 mil barris diários.
Durante a cerimónia de lançamento, que contou com a presença da Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, o empresário afirmou que a conclusão do projecto permitirá reforçar a independência energética de seis países africanos. Segundo Dangote, o investimento deverá também contribuir para transformar Walvis Bay num centro regional de logística e distribuição de combustíveis. Para a Namíbia, a iniciativa poderá reduzir as vulnerabilidades logísticas e os elevados custos de transporte marítimo, ao mesmo tempo que promoverá o desenvolvimento de infra-estruturas de armazenamento.
A componente central do empreendimento consiste na construção de um terminal com capacidade aproximada de 600 milhões de litros de combustíveis, equivalentes a cerca de 4 milhões de barris. Deste volume, 360 milhões de litros serão destinados ao armazenamento de gasóleo, enquanto a capacidade restante será reservada à gasolina.
Actualmente, Dangote opera na Nigéria a maior refinaria de África, com uma capacidade de processamento de 700 mil barris de petróleo por dia.
Em declarações aos jornalistas, Dangote revelou que a construção deverá estar concluída num prazo de 18 a 20 meses. Quando entrar em funcionamento, a nova instalação terá uma capacidade de armazenamento oito vezes superior à da actual Reserva Nacional de Petróleo da Namíbia, que dispõe de 75 milhões de litros e é operada pela petrolífera estatal Namcor.
Além do terminal de armazenamento, o projecto contempla a possibilidade de desenvolver um oleoduto com cerca de 1700 quilómetros, destinado a ligar Walvis Bay a países do interior da África Austral. De acordo com Dangote, a infra-estrutura poderá servir mercados como o Botsuana, o Zimbabué e a Zâmbia, existindo ainda a perspectiva de uma futura ligação à República Democrática do Congo.
O economista sénior da Oxford Economics Africa, Gerrit van Rooyen, considera que o investimento na Namíbia faz parte de uma estratégia mais abrangente de Dangote para desenvolver redes africanas de distribuição de combustíveis refinados. Na sua avaliação, estas infra-estruturas permitirão ao grupo abrir novos canais de comercialização e ampliar a presença nos mercados regionais, associando a capacidade de refinação à expansão dos sistemas de armazenamento e transporte.
Segundo Van Rooyen, esta estratégia poderá também ajudar o grupo a diversificar os mercados de exportação, reduzindo sobretudo a dependência dos destinos europeus e do Leste Asiático, onde a transição para energias mais limpas deverá moderar a procura de combustíveis refinados a longo prazo. Neste contexto, o investimento em Walvis Bay representa uma aposta nas redes de distribuição africanas, com potencial para reforçar a integração dos mercados energéticos da África Austral.
Fonte: Reuters




