O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou, esta quarta-feira (4), que os resultados das eleições intercalares nos Estados Unidos da América (EUA) poderão marcar o início de uma nova era nas relações internacionais, após milhões de eleitores norte-americanos terem manifestado uma forte rejeição ao Presidente Donald Trump.
As relações entre a África do Sul e os EUA atravessam actualmente um período de tensão. Esta semana, a Administração Trump avançou com medidas para retirar ao país africano o acesso ao mercado norte-americano com isenção de direitos aduaneiros, depois de, no ano passado, ter reduzido a ajuda financeira e expulsado o anterior embaixador sul-africano em Washington.
Trump tem visado a África do Sul, sobretudo devido ao que considera ser uma perseguição à população branca, uma narrativa que o Governo sul-africano rejeita, classificando-a como falsa e promovida por grupos extremistas.
“Vimos que os Democratas assumiram o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, e o povo americano manifestou-se. (…) Acredito que isto vai inaugurar uma nova era nas relações internacionais”, declarou Ramaphosa aos jornalistas, depois de votar nas eleições autárquicas sul-africanas, realizadas esta quarta-feira.
O chefe de Estado sul-africano afirmou que o anúncio, feito na segunda-feira, da suspensão da África do Sul da iniciativa comercial AGOA, a partir de Janeiro, representa “um aspecto negativo para nós”, defendendo que o foco deve estar na negociação de um acordo comercial bilateral com os EUA.
“Embora estejamos tristes por termos sido retirados da AGOA, as nossas relações comerciais com os Estados Unidos continuam”, acrescentou.
Ramaphosa afirmou ainda que o país tem vindo a trabalhar para garantir novos mercados de exportação, sublinhando que a diversificação comercial “tornou-se agora a ordem do dia”.
Fonte: Reuters





